terça-feira, 7 de junho de 2016

Um convento que é um pecado capital


Onde a Cervejaria Trindade habita há 180 anos já se dedicaram frades à religião.



© Cervejaria Trindade



Agora a religião é outra. Passa por marisco, bacalhau, bifes, cervejas, vinhos, sobremesas e uma estória aqui e outra ali.
Ontem o Lifestyle ao Minuto partilhou consigo um vídeo sobre a história desta cervejaria e revelou-lhe que as suas personagens históricas haviam ‘ressuscitado’ para contar a estórias deste local.

Pois bem, os fantasmas da Rainha Santa Isabel (interpretada por Carla Salgueiro), do fundador da Cervejaria Trindade, Manuel Moreira Garcia (interpretado por Marco Pedrosa) e do cliente mais assíduo da casa, João da Barateira (interpretado por João Carracedo) mostram-se e contaram as suas histórias desta que foi, no fundo, a sua casa.

A Rainha Santa Isabel teve um papel de extrema importância na criação do antigo Convento da Trindade, uma vez que ajudou os frades Trinos a abri-lo e deu várias oferendas a este local.

Manuel Moreira Garcia, industrial galego com ideais maçónicos – presentes também em detalhes da decoração da cervejaria, como os quatro elementos da natureza ou as estações do ano presentes nos painéis de azulejos do século XIX, da autoria de ‘Ferreira das Tabuletas’, antigo diretor artístico da Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego – fala da força que o leão presente nos azulejos pretende dar à casa e aos seus funcionários.

O fundador (em fantasma, claro) revela ainda o segredo desta casa: “A longevidade, a tradição e a cultura”.

E o João da Barateira – assim conhecido porque trabalhava na livraria Barateira – foi cliente praticamente diário deste espaço durante 80 anos. Desde que começou a trabalhar, aos 19 anos, que por aqui ficava a beber uma ‘girafa’ (cerveja preta alta) desde que saía do expediente até às duas da manhã. Por aqui viu a Amália, figuras políticas, muitas festas e até os efeitos da Revolução do Cravos.

Em 180 anos de história as mudanças têm sido várias, mas como diz Francisco Carvalho Martins, CEO da Portugália – detentora da Cervejaria Trindade desde 2007 – o “balanço é muito positivo”. A cervejaria ganhou um conceito consistente associado ao seu passado conventual, um bar à entrada para beber e petiscar qualquer coisa, uma segunda cozinha para servir grupos grandes (têm menus a pensar nos grupos), decoração a seguir o conceito e até uma ilha de marisco à entrada, onde este é trabalhado à frente do cliente.

A ementa é tradicional portuguesa e o espaço tem todo um ambiente conventual, em que os funcionários usam hábitos de frades, há música ambiente gregoriana, tochas, bancos corridos e até a ementa e o logótipo têm inspiração na história deste local.






Por: Vânia Marinho
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