quinta-feira, 2 de junho de 2016

Amor Marítimo



 (imagem daqui)


Sentavam-se, a cada Junho, lado a lado, a mão direita dele repousava no joelho dela que espreitava, de uma brancura nívea, abaixo da fímbria do vestido azul, enquanto a mão esquerda dela, por sua vez, lhe enlaçava os dedos. Havia algum tempo que ficavam ali, no molhe sobranceiro ao mar agitado, tendo por música de fundo as ondas a chicotearem as rochas verdes de limo e as gaivotas em conversas de tom agudo. De quando em vez, olhavam-se, e era impossível alguém não sorrir vendo-os a olhar-se, tal o brilho que ambos irradiavam.

Muitos anos volvidos, diziam os passantes avistarem um homem e uma mulher que, a cada tarde de Junho, nadavam lado a lado no mar em frente ao molhe, entre carícias e beijos.






Amariasoueu