sexta-feira, 8 de abril de 2016

Jane Fonda: “A beleza clássica é sobrevalorizada”





A actriz norte-americana veio a Portugal falar sobre envelhecimento – o "terceiro acto da vida"

Jane Fonda tem 78 anos e é fisicamente activa. É actriz, escritora, activista, feminista, foi modelo e guru do fitness nos anos 1980 e 1990 (as suas cassetes VHS com a rotina de treino de ginástica aeróbica foram relançadas, em DVD, no início de 2015). Na manhã desta quinta-feira, entrou na sala Belém do hotel Pestana Palace, em Lisboa, com uma bengala e justificou-se: “Estive a fazer uma caminhada em Los Angeles e tropecei.”

A actriz norte-americana de olhos azuis marcados por rugas, bem maquilhada e de branco integral, fala sobre a mudança de paradigma de envelhecimento, da importância e frisa: “Não podemos permitir que as dores, as nossas limitações físicas, nos definam. Eu não sou a minha dor, não sou a minha prótese da anca. Já não posso correr e então? Ainda consigo andar, participar em caminhadas, posso manter-me saudável e em forma.” Foi assim que começou a sua intervenção na conferência A Idade é uma Escolha, organizada pela marca de beleza L'Oréal Paris, em Lisboa. No mesmo painel juntaram-se a actriz Simone de Oliveira, de 78 anos, a jornalista Maria Elisa Domingues, de 65 anos, o médico Manuel Pinto Coelho e a directora de marketing da L'Oréal Paris, Margarida Condado, para falar sobre a importância de um envelhecimento activo e da auto-estima a um público maioritariamente feminino e com mais de 50 anos.

Apesar da bengala, posa para dezenas de fotógrafos durante largos minutos. “Sinto-me muito mais nova agora do que quando tinha 20 anos. Aos 20 anos era tão velha… Tínhamos de saber fazer isto e aquilo. É stressante”, frisa a embaixadora da L’Oréal. Não quer “romantizar” o envelhecimento – “o meu corpo está a abrandar, a gravidade está a ter efeitos, não recupero tão rápido” – mas sim vê-lo como parte de um “desenvolvimento humano contínuo”. Da queda na caminhada, provocada por um “jovem bonito em tronco nu”, ri-se e tira três lições: “Continuo a fazer caminhadas, continuo a olhar quando vejo um homem de boa aparência e quando caio há um maior risco de me magoar seriamente.”

Os padrões dominantes estão a mudar, devagar, mas a beleza clássica ainda é sobrevalorizada, argumenta. “Não é a beleza que é sobrevalorizada, é a beleza clássica. Tens de ter uma certa aparência e se não tiveres, sentes-te mal. Não, o objectivo é ser o melhor que consegues ser, fazer o melhor que conseguires. Às vezes isso não acontece naturalmente, é preciso trabalhá-lo”, explica. Enumera vários tipos de beleza: “A perfeita e clássica, a atraente e a interior”. É a beleza interior que deve ser trabalhada, aquela que é possível atingir e expandir. “Devemos manter-nos curiosos, descobrir coisas a toda a hora. Aprender a gerir os nossos traumas e demónios” mas também cuidar da nossa pele, cabelo, unhas, alimentação. “Alguns podem chamar-lhe vaidade mas quando cuidamos de nós, isso faz-nos sentir melhor.”

De acordo com os dados recolhidos pela L’Oréal Paris nos Censos da Pele – uma iniciativa que envolveu 2400 mulheres portuguesas dos 18 aos 70 anos e que pretendia aprofundar o conhecimento sobre a saúde da sua pele –, mais de 80% das mulheres considera que a pele é aquilo que as faz sentirem-se bonitas mas não lhe dão a importância devida.

Por Inês Garcia

Life&Style