quarta-feira, 2 de março de 2016


PAIXÃO... Edite Pinheiro





Sinto-te vento aquietado,
quando em claras noites longas
chovem flores de amor inebriado,
idílios romanceados de loucura
em céu de anil, o corpo arrebatado.

Nessas noites esplendorosas
vestimos rostos de azul revigorado,
nas taças, vinho florido de rosas,
e nós bebendo o luar extasiado
em deboche e seivas amorosas.

Resgato o destino que emoldurei,
abro os gomos de um tempo a sós,
inalo o perfume da terra que toquei
e em teu peito suspira a minha voz
no leito revolto onde me acalentei.

Acordei pelos madrigais das aves
e o sol triunfante na minha janela.
A minha lira suavemente tocaste,
no alvor da branca madrugada
docemente minha pele desfolhaste.

As minhas mãos falam por mim,
pintam estas palavras só para ti.
No olhar, votos de vida em união
e no abraço que nos prende aqui,
abonamos razão à voz do coração.