quinta-feira, 24 de março de 2016


O TEMPO É O NOVO LUXO

Para sermos felizes, não basta sermos magros e termos dinheiro. Ajuda mas não é o suficiente. É preciso apreciar a vida, rodearmo-nos de amigos e valorizar o que temos


É, actualmente, um dos bens mais escassos. «Para mim, um verdadeiro luxo é ter tempo», disse ao jornal Sol Helena Amaral Neto, coordenadora do curso de luxury brand management, no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Mas a verdadeira valorização da palavra luxo não é medida pelos seis meses de espera para receber uma carteira Birkin, de Hermès, que na versão crocodilo pode chegar aos 20.000 euros.

Não, a noção de tempo como o novo luxo em 2016 é medida pelo valor dado ao ritmo natural das coisas. A perfeição é inimiga da pressa, certo? A consultora e editora da revista Wallpaper, Henrietta Thompson, revelou à revista Business Life, quais as tendências em Ascenção nos dias que actualmente correm tudo menos devagar.

O equilíbrio é aborrecido

O trabalho versus a vida, o descanso versus a diversão, a salada versus a piza... Durante décadas, fomos convencidos a acreditar que o segredo para um boa vida é encontrar o equilíbrio perfeito entre tudo. Acontece que o que talvez devamos procurar não é esse equilíbrio, mas um alinhamento. Uma nova postura que não se altera com cada exigência da vida, adaptando o meio que nos rodeia à nossa vida.

A vontade de comprar tempo

O novo luxo é o tempo. Pode parecer um cliché, mas o que realmente significa comprar tempo? Para começar, há que delegar tarefas e responsabilidades. Mas o problema é o que depois decidimos fazer com as horas que sobram. Porque o tempo perdido não é luxuoso.

A segunda forma é investir em ferramentas que nos podem ajudar a abrandar e não acelerar ainda mais, como os produtos ditos vintage. Ferramentas de cozinha e de jardinagem, jogos de mesa (damas, xadrez e por aí fora...), papéis e estacionário antigo fazem parte da lista. O mais provável é que surja mais slow design no horizonte...

O novo movimento wellth

Wellth é a simbiose de well (bem) e wealth (riqueza). Se antes o sinónimo de sucesso era apenas a riqueza, agora a atitude é outra e visa a saúde e o bem-estar. Ser wellthy significa ser pro activo no que toca ao desporto e consciente no que diz respeito à alimentação. Este movimento não separa a mente do corpo. Uma abordagem holísctica que assegura uma atitude saudável.

Lembre-se, todavia, disto. A autenticidade é a palavra-chave. Confiança e integridade serão as qualidades mais apreciadas nas redes sociais em 2016 e é importante que a atitude que defender nas mesmas seja a mesma que advoga na sua vida offline.

Ioga e meditação para recuperar tempo

Mentor do projecto «Yoga Spirit» e criador de uma sequência de yoga tónico para explorar os benefícios da prática de ioga numa sala quente e húmida, Jean-Pierre de Oliveira diz-nos que «temos que nos conhecer a nós próprios, saber como é que funcionamos e como gostaríamos de funcionar. Mudar o interior para conseguirmos mudar o exterior. A nossa forma de reagir perante algumas situações e, depois, induzir alguma mudança ao mundo próximo que nos rodeia».

«Façam ioga e meditação, que acabam por ser sinónimos. O que fazemos no ioga é aprender a ter consciência do momento presente, é afastar os pensamento e viver o que está acontecer agora, e a meditação tem o mesmo objetivo. Podemos começar por aí e nem a desculpa do não temos dinheiro é aceitável. Podemos fazê-lo sozinhos», sugere. «Há vídeos e livros que nos ajudam a meditar e a fazer ioga sozinhos», refere ainda.


saberviver sapo