quinta-feira, 31 de março de 2016



Cheiro a funileiro.




Procuramos descrever cores, odores, sensações de forma original. Nem sempre o conseguimos, outras vezes sobre surpreendidos pela simplicidade da coisa.

No fumatório da minha empresa estava uma colega com um pensativo cigarro entre os dedos. Olhava para longe, melancolicamente. Por certo não estava ali.

- Então Margarida? Algum problema?

- Foi o meu carro. Começou a não andar e tive de chamar o reboque. Lá vem mais uma despesa.

- E o que aconteceu?

- Carregava no acelerador e o carro não andava embora o motor trabalhasse. Ficou parado numa subida. Olhei para a temperatura mas estava normal. Quando saí o carro tinha um cheiro a funileiro.


«Cheiro a funileiro» é a metáfora odorífera mas bonita que alguma vez ouvi para descrever um carro que acabou de queimar a embraiagem.

Fernando Lopes




Diário do Purgatório