domingo, 27 de março de 2016

Boa Páscoa!

Lá diz o ditado :"Cada terra com seu uso,cada roca com seu fuso"


Encontro-me em Figueiró da Granja, uma aldeia perto de Fornos de Algodres, que pertence ao distrito da Guarda .
Isto só por si,seria um acontecimento irrelevante,se não fosse a particularidade que vos vou narrar.

Há já alguns anos,as famílias mais tradicionais abandonaram a aldeia e fizeram vida por esse Portugal,de norte a sul ( como pude comprovar) ,deixando no entanto intactas as suas casas senhoriais. Passadas gerações,país,filhos e netos regressam quase "religiosamente " pela Páscoa.
E o interessante é que "abrem as portas", ou seja, preparam a mesa onde distribuem diversos alimentos típicos da zona ;o bom queijo da serra, o pão feito na lenha,as chouriças,a bola de carne,o presunto cortado em fatias fininhas, as empadas e depois os vulgares rissóis, os peixinhos da horta, o bolo de laranja, o arroz doce...
Já combinado previamente a ordem das casas a ser visitadas, começaram ontem a entrar às 6h, na casa dos meus compadres,onde me encontro. Reunimo-nos na adega, com as mesas postas de iguarias, de um lado os salgados,do outro os doces. Os primos mais ou menos afastados das famílias que se vão entrecruzando,assim como os amigos que os acompanham,entram e cumprimentam os presentes,beijando-os com um sorriso no rosto, como se se conhecem há muito. Comem,bebem o bom vinho tinto ,conversam entre risadas,contam histórias do passado,misturadas com a vida presente. E todos,novos e mais velhos convivem numa sã camaradagem!
Por volta das 21 horas todos abandonam aquela casa ,sem antes cantarem uma canção d cocada à aldeia "Figueiró " e rumam em direcção à segunda casa,onde os espera novas iguarias, dispostas por outros anfitriões. E segue-se a terceira casa,com o mesmo ritual... Até o sono chegar, as pernas e o estômago aguentarem ,ou o vinho fazer efeito...

E  eu que  sou "menina da cidade " em tudo isto acho imensa graça!
Hoje haverá outras casas a percorrer...