terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Um mergulho na Índia,um país rico e pobre, simples e complexo , e antes de tudo ,feliz !



Quando fui convidada para escrever sobre a India, pensei: “Nossa! Quanta responsabilidade. Que grande desafio e, ao mesmo” tempo, que prazer!”

Não quero e nem posso escrever um texto com grandes explicações geográficas, políticas e nem analíticas. Primeiro porque me faltam conhecimentos mais profundos e, segundo , porque descobri que a India não se entende. Apenas se observa… Então resolvi que o texto seria assim, leve, descontraído e na visão de uma apaixonada por viagens e, sobretudo, pela vida!

Acredito que em nenhum outro lugar do mundo os sentidos ficam tão aguçados. São os cheiros, os sabores, as cores, o barulho, tudo isso fazendo parte de um ambiente caótico e de paz. Controverso não? Não na India… Lá isso é possível!

Sempre tive vontade de fazer essa viagem, mas confesso que me faltava coragem… Tinha medo do que iria encontrar, da pobreza escancarada nas ruas, da cultura tao diferente da nossa…

Até que um dia o meu marido me disse que estava organizando uma viagem surpresa para nós e eu ficava imaginando: “Será um belo hotel nas Maldivas? Ou então um cruzeiro pelo Alasca? Quem sabe uns dias em Paris?”

Até que uma semana antes ele me revelou: “Vamos para a India”!

Senti um misto de alegria, curiosidade e medo… Depois do primeiro impacto comecei a estudar, a pesquisar sobre esse lugar tao místico, essa terra tão desejada por tantos países pelas suas especiarias e riquezas desde o inicio dos tempos…

No voo ganhei do meu marido um livro do escritor espanhol Javier Moro chamado “ O Sari Vermelho” e comecei a lê-lo na mesma hora. A viagem passou num instante e a cada página aumentava o meu desejo de explorar aquela terra.




Esperava por um aeroporto bem simples em Nova Delhi mas me deparei com um super aeroporto à altura do Heathrow de Londres.

O nosso hotel( Kepinski) ficava em Nova Delhi, a parte nova da cidade e numa avenida bonita e bem arborizada onde ficam as embaixadas. Já reconheci alguns pontos que havia lido no livro, como o portão da India , por exemplo. Fiz questão também de passar em frente a casa de Sonia Gandhi, a Italiana que se casou com o filho de Indira Gandhi e é hoje a mulher mais influente da India.

O hotel era digno de conto de fadas….O cheiro de sándalo, os incensos, os sorrisos simpáticos do povo indiano e no jardim uma belíssima escultura de Lord Ganesha.

Procurei me colocar na posição de uma passageira , ou melhor, de uma expectadora da vida… Sem muitos questionamentos ou julgamentos. Nunca me perguntava como será que eles vivem na pobreza extrema? Por que existe tanta diferenca social? Por que os hotéis são tão luxuosos num país tao pobre? Por que os elefantes, camelos e vacas andam soltas pelas ruas?…




Eu simplesmente me permitia a observar e refletir que a nossa civilização não é melhor e nem pior. É apenas diferente. Me sentia um bebê descobrindo o mundo e sem tentar interferir na cultura deles perguntava tudo o que via para o nosso guia, Dushyant, um indiano muito culto e extremamente educado.

Depois de uma noite maravilhosa seguimos para a estação de trem (completamente caótica) que nos levou ate a cidade de Agra, famosa pelo Taj Mahal.

Agra é uma cidade pequena e o Oberoi , sem dúvida, o melhor hotel da cidade. Jantamos à luz de vela no terraço do nosso quarto tendo como paisagem nada mais e nada menos do que o Taj Mahal, o momumento considerado o Templo do amor! Foi uma experiencia indescritível e extremamente romântica.

Nem um milhão de palavras seriam suficientes para descrever o explêndido Taj Mahal. Muitas pessoas pensam que é um palácio mas, na verdade, é um mausoleu onde estão enterrados a Imperatriz Muntaz-Mahal,a preferida dentre todas as outras esposas do imperador mongol Sha-Jahan, que também está enterrado ali. Ela morreu no parto do décimo quarto filho deles e, no momento derradeiro, ele prometeu à sua amada construir um monumento digno da sua beleza e do tamanho do amor que sentia por ela. A promessa foi cumprida e ninguém consegue permanecer o mesmo diante daquela maravilha! A energia é indescritível . Um lugar realmente mágico!




Depois disso fomos fazer safari num dos luxuosos hotéis TAJ que fica próximo ao parque nacional de Kanha. Lugar lindo e inspirador! Tivemos a oportunidade de avistar vários animais em seu habitat natural e claro, o rei da India, o majestoso Tigre de Bengala!




O destino final foi Jaipur onde nos hospedamos num hotel que foi um castelo no tempo que os marajás ainda reinavam na India. No governo de Indira Gandhi todas as regalias aos marajás foram cortadas e algumas famiíias reais como no caso da de Jaipur, alugaram os seus palácios para redes de hotéis de luxo. Esse é da rede TAJ e se chama Rambagh Palace.

O palácio é maravilhoso! Os jardins, impecáveis, cheios de pavões e alguns elefantes. O restaurante, espetacular. Enfim, uma experiência realmente especial e muito diferente de tudo o que eu já tenha visto…

Visitei muitos lugares ricos e maravilhosos e outros abaixo da linha da pobreza mas em nenhum desses lugares as pessoas deixaram de sorrir… Na aldeias carentes que visitei era muito comum ver as mulheres em seus saris coloridos correndo e brincando com seus filhos como se a pobreza fosse apenas um detalhe.

Aprendi na India que não apenas as vacas mas também alguns macacos são sagrados e alimentados em alguns templos…

Nas ruas como por um milagre convivem pessoas, elefantes, vacas, macacos, muitos carros, bicicletas, onibus e tudo mais que puder imaginar. Tudo isso ao som de muita buzina, que lá não é vista como um insulto e sim como um sinal de alerta. Os indianos costumam dizer que eles não vão ao zoológico porque o zoológico vem até eles…




Aprendi que a família é um presente de Deus e que moram todos juntos para que os avós possam ter o privilégio de ver os netos crescerem, pois participar do crescimento dos netos é a promessa de Deus de uma vida longa e feliz e também o fechamento de um ciclo.

Aprendi que cada cor tem um significado e por isso os saris são tão coloridos… Aprendi que são muito supersticiosos e religiosos. Na India vivem mais de 1 bilhão de pessoas sendo, a maioria da religião hindu, alguns muçulmanos e uma minoria cristã.

Os casamentos só acontecem entre Dezembro a Maio, meses considerados auspiciosos…

Na religião hindu existem mais de 300 milhões de deuses, todos unidos a uma trindade. Visitei um templo que a deusa era a figura de uma mulher horrorosa mordendo a língua. Quando perguntei o que significava a resposta foi bem simples: Representa a falácia, o mal que as palavras podem causar… Lição aprendida!

Apesar de tentar usar roupas mais orientais eu e o meu marido éramos alvo de muitos olhares pelas ruas e depois pensando bem num país de mais de 1 bilhão de pessoas nós somos os estranhos e não eles…

Perguntei se tinham algo que equivalesse a nossa bíblia cristã e disseram que tem um livro que se chama “Bhagavad Gita” que contem os principios do que devem ou não devem fazer. E no final das contas é tudo sobre o amor: o amor pelo próximo, o amor a Deus sobre todas as coisas e também a máxima da ética de não fazer ao outros o que não gostaria que fizessem a voce!

Madre Teresa de Calcutá também é adorada por lá e vem dela o ensinamento de que devemos fazer o que é certo independentemente de para quem seja, porque no final das contas a boa atitude sempre será entre você e o seu Deus e nunca entre você e a outra pessoa.

A India tem muitas coisas para comprar e as jóias sao lindíssimas, mas eu não estava no clima de jóias e sim no das pashminas puríssimas pelas quais me apaixonei! Claro que também trouxe na bagagem um sari feito sob medida numa loja local o qual pretendo usar em breve numa festa de Halloween com os meus filhos.

Espero que tenha ficado claro que a India não é para todos e nem todos são para a India, mas se tiver vontade de abrir o seu coração e se jogar nessa jornada sem pré-julgamento existem grandes chances de você, assim como eu voltar, completamente apaixonada pela incrível India!

Namaste(O Deus que vive em mim saúda o Deus que vive em você)




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