terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

QUANTO TEMPO TEMOS ?






Quanto tempo nos resta? Olho para o relógio à procura de uma resposta. De uma voz que surja detrás de mim, e bem acima do meu ombro direito me diga: 12, 13, 30 ou, apenas, 2 anos. Quanto tempo nos restará para concluir tudo aquilo que queremos fazer? Meia hora, uma mão cheia de anos ou uma velhice contada pelas curvas da pele enrugada que carregamos todos os dias? Quantas vezes nos perguntamos quanto tempo teremos para amar o nosso grande amor? E para encontrá-lo? Quantas vezes arrastamos a viagem ao sul, o passeio com o nosso pai, ou a visita à casa dos nossos amigos, que tantas vezes nos convidaram.

Quantas vezes distraidamente não olhamos para o tempo porque nem sequer o sentimos. Mas sabemos que é nosso, que nos pertence e fazemos o que dele quisermos. Até percebermos que não. O tempo não nos pertence, não é um dado adquirido e voa, principalmente isto, voa. Foge-nos entre os dedos, como areia fina de um deserto, logo no momento em que o estávamos a sentir como nosso.

Quanto tempo nos resta? Para amar, para lutar, para ir e voltar. Os domingos têm mais tempo que qualquer outro dia da semana. São lentos, vagarosos e fazem-nos pensar. E o tempo exige que nele se pense. É valioso, é caro, dizem muitas vezes. Quanto valerá o tempo?

Ontem estavas comigo, brindávamos ao nosso reencontro. Segundos depois batias naquele estúpido muro e eu fiquei sem ti. Eu e todos. O teu tempo acabou. Sem aviso. Acabou novo. Terminou à mesma velocidade de um brinde. Segundos. Esse maldito tempo não nos deixou viver mais. Não nos deixou brindar mais. Tirou-nos os reencontros e as despedidas. E eu achei que tinha tempo. Que tínhamos tempo. Muito tempo.

Quanto tempo vale aquele que gastamos com os que amamos? Quanto tempo valem os ódios? Queria saber que não perco tempo. Assumir-me como horas, minutos e dias. Saber que estamos contados, temos um prazo e que só dependerá de nós utilizar o nosso tempo em bons fins. Sem pressas. Largando esta sensação que trago hoje no peito sempre que te lembro. Sempre que me despeço de ti todos os dias. Não me importo de não ter tempo, importo de não o utilizar, de o largar pela janela fora. O aqui é a única coisa que nos resta. A nós, a quem o tempo ainda não terminou.



Capazes