sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

NÃO TENHO SAUDADES DO VINYL





Não tenho saudades do vinyl, nenhumas. A única perda foram as capas dos élepês que eram um veículo de arte e coisas bonitas e às vezes não mesmo. Os discos eram uma fonte de preocupação e frustração quando se riscavam, além de que exacerbavam o nosso sentido de posse, nada em conformidade com as catarinas fixes deste mundo. O digital tornou tudo muito mais acessível, partilhável e gratuito, muito mais próximo das massas de que faço parte.

A rádio, isso sim, vem sobre o éter, sem ser preciso qualquer tratamento digital ou outro, sou só eu e o locutor em sessão privada e personalizada. Aprendi a música toda (excepto a clássica, essa existia em vinyl em casa e era ouvida num lindo móvel muitíssimo parecido com o da foto – em alto brilho! – e que a minha mãe deu/vendeu em hora desavisada) da minha geração na rádio, primeiro com o Berros e depois o António Sérgio, em religiosa audição a horas marcadas, como uma missa.

Religiosamente, também, tomei nota de várias sessões que ouvi nas guardas de alguns livros de banda desenhada nos anos 80, estão lá as datas e o alinhamento das músicas ouvidas, bandas e título. Uma satisfatória sensação de que a lição estava aprendida e ficava para memória futura. Em papel que entretanto amareleceu. A lápis, por algum complexo de culpa associado à profanação de um livro impresso daquela forma. Tudo analógico, como eu.




Bom dia.