sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Lutar Contra as Adversidades

Lutar Contra as Adversidades

Depois dos bons momentos... vêm sempre os piores. O encontro com o mais belo da existência não anula a nossa fragilidade. Mais uma vez, caímos. Mais uma vez, experimentamos a derrota, sentimos que não somos tão importantes quanto julgávamos, nem, tão-pouco, nada de extraordinário. Estamos, mais uma vez, no chão. Encolhidos. Como no ventre da nossa mãe. 

A fraqueza acumulada é uma adversidade brutal. Não é apenas necessário lutar contra o que temos por diante, temos de combater também as derrotas das lutas anteriores, todas as dores, cicatrizes e feridas abertas... todas as perdas. 

O que faz à vontade o sofrimento recorrente? Aumenta a tentação de ceder ao mal. Como se fosse natural habituarmo-nos mais aos vícios do que às virtudes. 

A cada passo o caminho se torna mais longo... 

Sofremos o que não merecemos. Mas a tristeza só é absurda quando não se sabe por que se luta... enquanto não se consegue ver sentido algum na dor... 

Há homens e mulheres que, longe dos olhares alheios, lutam contra adversidades enormes, que alguns imaginam impossíveis. Lutam, sofrem e erguem-se, apesar de tudo. 

A sua vontade de viver e sorrir é maior do que a de desistir e chorar. Choram, mas porque têm vontade de viver. Sorriem sempre que percebem que o seu sorriso pode levar esperança a outro. 

Mas, ainda que estejamos caídos no chão, estamos no caminho, estamos a fazer caminho, o nosso. Esse que importa levar até ao fim... até ao ponto mais alto... porque não somos de nenhum buraco. 

Os olhos no céu. O céu nos olhos. E erguemo-nos, mesmo sabendo que voltaremos a cair... e seguimos para diante, mesmo não sabendo como resistiremos à dor das feridas e às forças que se vão extinguindo. 

Quantas vezes me dou conta daqueles que lutam para sair do fundo do poço? 

Quantas vezes devo levantar-me? 

O que quero eu de mim? 

José Luís Nunes Martins, in 'Via-Sacra para Crentes e Não-Crentes'