terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

HOMENS DE PAPEL



Parecem atravessar as ruas e as praças com a mesma impunidade com que pisam areias movediças. A luz que os vem aveludar é coada e mansa, quase embaraçada e tímida por se quedar na perfeição rival. Deixam no espaço um perfume de frésias esmagadas com um travo amargo de madeira exótica e pisam o que é deles, apenas por chegarem.
Parecem atravessar as ruas e as praças como se atravessassem corações.
São homens de papel.

Gosto dos outros. Dos que tropeçam nas pedras do caminho, iluminados por uma luz que finda e que renasce pela manhã, na mais banal das séries; que trazem os aromas dos lugares caseiros, de cães, de chuva, de areia arrasada pelo vento, de árvores de fruto, de sonhos triviais, de ilusões e choro, de risos imbecis, mas a saber pela vida.
Atravessam as ruas e as praças, mas param sempre ao lado de um coração qualquer.

A Gaffe e as avenidas