quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Agrilhoado





Agrilhoado
moribundo
o chão desta casa
que não ouvirá
mais o amanhecer
dos teus passos
As portas
todas elas fechadas
ensimesmadas
apenas murmurando
as falanges do teu nome
No quintal
os pássaros
trovadores alienados
prosseguem com a orquestração
do desfilar da folhagem
outoniço cortejo que mostra perfeitamente
a dimensão manifesta e exacta
da ossatura do irretornável

De pálpebras entreabertas
este elegíaco espelho
como aquele homem
que saiu de casa
e nunca mais voltou

Dinis moura ,Bomdia.eu.