sábado, 23 de janeiro de 2016

TU ÉS ...







Tu és o alvorecer reluzente, ensolarado, esplêndido e consagrado
o meu mentor primordial, comandante supremo e principal
a luz clara, sem mácula, inspiradora, transparente e estrelada
a estrada certa, inconfundível, desafogada e santificada
a causa da beleza da natureza e da sua indiscutível perfeição
a louvada, a inquestionável e inexplicável, a bela pintura da criação.

Aqui, na terra, onde estou indiferente a tudo, longe da clarividência
dos atos puros, desinteressados, apelativos e da benemerência
prisioneira nos destroços da desventurada, sombria e amarga cela
onde a soberbia, a irracionalidade, a mesquinhez e a altivez
imperam, chamando-me, sugando-me, mentindo-me, apelando-me
para tudo o que não presta, que é caminho sem luz, mas seduz
imploro-te, humildemente, que me ensines os caminhos da verdade
fazendo-me renunciar à superficialidade, a luxos e a toda a comodidade.

Depois, e sem nunca mais estar sozinha no balanço da cadeira do Bem
desperto para o que antes me era tão estranho: a força da entrega
com expressividade, com alma, espírito, intensidade, elevação, vivaz
sentindo o lúcido discernimento que é ter-Te, em total adoração
algo que nunca antes tinha pensado, sentido, assumido e interiorizado
num fascínio de todo surreal, envolvente, transcendental, eficaz
a que não consigo dar nome, denominar e nem ao menos me expressar.

Assim, e convencida que Tu por mim caminhas, maravilhado e realizado
conduzindo todas as minhas atuações, coisas da condição humana
enquanto eu descanso, liberta, nas searas da planície da minha mente
sentindo o odor das espigas, que magicamente me engrandecem
e entoando cânticos de louvor, elevo-me em peregrinação até Ti, Amor!

Todavia, o que mais me esmiúça, aborrece, entristece, aflige e preocupa
por maior que seja o meu esforço, devoção incessante e constante
é a negra realidade do avanço galopante da maldade e da infelicidade
que pouco a pouco parece querer destronar a minha labuta e luta
na desilusão que me fará ser só saudade, lembrança, ou pouco mais
não sendo esse panorama que o meu coração deseja, se bate e proclama.

Contudo, devo esperar o xeque-mate, o ir embora, o partir sem demora
os momentos do adeus, o inevitável desfecho, que chegará ao Além?
Quem me dera, porém, que eu tenha alcançado a meta já estabelecida
pela qual sempre me esforcei, entreguei e de bandeira branca lutei
embora eu desconheça tudo aquilo que me espera, assiste e reserva. 
Que seja feita a Tua vontade, meu Deus! Por bondade, recebe-me! Amém!

CÉU


Ausente do Céu