segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Tamara de Lempika





Tamara de Lempicka (1898 - 1980)

“ Para aqueles que, como eu, vivem à margem da sociedade, as regras habituais não têm qualquer valor” – esta frase define claramente o espírito e a postura de Tamara de Lempicka ao longo da sua vida e obra.

Pensa-se que Tamara terá nascido em Varsóvia; ao certo, sabe-se que saiu da Rússia fugindo à Revolução, mudando-se com cerca de 16 anos para Paris, acompanhada do seu primeiro marido, Tadeusz Lempicki. Instalou-se em Montparnasse, e desde logo começou a insurgir-se no seio da nata da sociedade parisiense. La belle polonaise, como era chamada, era o paradigma da mulher moderna, bem como da sociedade da época, fazendo a apologia à joie de vivre, ao consumismo, ao conforto, à segurança, à técnica, ao futuro!


Começou a dedicar-se mais seriamente à pintura por intermédio de André Lhote, com quem teve aulas de pintura e através de quem viria a adquirir o seu estilo peculiar. Tendo assim, como base, o cubismo sintéctico, em que se aliava o vanguardismo do cubismo com os motivos burgueses e mais académicos, a obra de Tamara assentou predominantemente no rótulo de Art Déco, marcada pelo pós-cubismo no seguimento de Picasso e Braques, e pelo neoclassicismo adaptando Ingres.

Através desta arte representativa típica dos anos vinte e trinta, pretendia-se transmitir um certo tipo de beleza, de proporções corporais, de sucesso, facilmente conciliáveis com os estúdios de Hollywood, a revista Vogue, Elizabeth Arden ou Helena Rubinstein.
 


No entanto, De Lempicka vai mais além desta mensagem própria da época dos loucos anos 20, ao atribuir uma grande intensidade psicológica e física às suas personagens, ao expor de forma crua e fria, os sentimentos e emoções daqueles que retrata e que são um reflexo dela própria. Tamara explica o seu êxito mediante uma pintura que, segundo ela, é atraente, concisa e terminada: O meu objectivo é nunca copiar, mas sim criar um estilo novo, cores claras e luminosas, desvendar a elegância dos meus modelos.



Imprimindo extravagância e sensualidade aos seus modelos, expressa um certo erotismo em grande parte da sua obra, adoptando uma espécie de “Ingrismo perverso”.

Viveu ainda bastantes anos ao lado do seu primeiro marido, com quem teve a filha, Kizette; contudo, durante todos esses anos viveu inúmeras aventuras amorosas com homens e mulheres, de entre amigos, modelos e desconhecidos.

Já em 1933, e depois de se ter separado de Lempicki, voltou a casar-se, desta volta com o verdadeiro homem dos seus sonhos, tendo em conta que era o Barão Kuffner, o que lhe dava um título e muito dinheiro.

Com o início da 2ª Guerra Mundial, emigraram para os EUA, onde a imagem de De Lempicka como a pintora extravagante dos Roaring Twenties se esvaiu, dando lugar à fama da elegante Baronesa Tamara de Lempicka-Kuffner que é tão divertida e pinta coisas tão engraçadas.

Em 1980, e após ter estado um ano gravemente doente, De Lempicka morre durante o sono, sendo que Kizette satisfaz o último desejo da mãe ao transportar as suas cinzas num helicóptero e espalhá-las por cima do vulcão Popocatépetl no México.

“Auto-Retrato (Tamara no Bugatti Verde)” 1925


 Beldade de olhos de aço, a diva da era do automóvel. 

Lempicka faz transparecer a relação entre a mulher e o automóvel, reflexo da subjugação desta pela posse deste objecto, espelho da sociedade materialista; e da capacidade e ambição do homem, enquanto criador desta máquina. Paralelamente, o automóvel surge aqui como um símbolo da emancipação feminina, pois a mulher consegue dominá-lo, tal como ao homem.

No fundo, Lempicka vai mais longe, estabelecendo a dicotomia mulher-automóvel a par com feminilidade-masculinidade e, consequentemente, querendo dar a entender a sua postura perante a vida, ao acreditar que todos os seres humanos, homens e mulheres, são uma mistura destas duas componentes.


Portrait of the Duchess of La Salle, 1925 - Tamara de Lempicka - www.tamara-de-lempicka.org




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