sexta-feira, 1 de janeiro de 2016


Se querer mais de ti é mau.



Se preocupar-me contigo é mau, então que o céu arda, que a lua desapareça, que as estrelas percam o brilho e o sol morra já aqui.

Se cuidar de ti com mimos e carinhos, com beijos e abraços, com choradeiras desalmadas e com este coração tão delicado como o pescoço de um bebé, então que morra aqui. Que morra diante de ti, que fique sem alma, que venha deus e me condene, que venha a morta com a sua mão e me leve com ela até aos poços do inferno.

Se eu sou assim tão má pessoa para teres ao teu lado, que me caia o cabelo, que me falhe a voz e os meus olhos deixem de ver, que os meus lábios apodreçam e o meu nariz deixe de sentir os cheiros do teu pescoço, os cheiros da tua nuca. Que as mãos me sejam cortadas impedindo assim que te chegue a tocar.

Se o meu amor é a pior coisa que já encontraste, enquanto que mo arranquem pelas costas e o botem ao fogo.

Se gostar assim tanto de ti é mau para mim, então que te ponhas de joelhos, metendo a jeito esse delicado pescoço, onde eu possa arrancar de ti todo o sangue que saiu do meu corpo. Todos os mimos, todos os carinhos, todas as perguntas, todos os segredos, tudo o que partilhei contigo. Que chores e chores até que os olhos sequem, como secaram os meus quando me fizeste um buraco no coração. Um buraco do tamanho da tua mão. Arrancaste-mo julgando que te pertencia, estavas enganada meu amor.

Não me verás morrer! E se vires será através dos olhos do diabo.