terça-feira, 26 de janeiro de 2016

POR AMOR...



Maria tinha 27 anos, um casamento feliz e quatro filhos, quando ficou viúva, logo após o nascimento do filho mais novo. Era uma mulher trabalhadora e muito querida por todos os que a rodeavam.






A vida deu na altura uma volta enorme, ficava sozinha e com quatro crianças para cuidar. Sem grandes ajudas, Maria teve de se reinventar de muitas formas.

Tinha uma rotina diária que nunca interrompia. Levantava-se às seis da manhã para cuidar da casa, da roupa, da comida, das crianças e a seguir ia trabalhar.

Trabalhava numa fábrica das 9h às 18h todos os dias. Durante 40 anos foi assim.

Criou os filhos com todos os sacrifícios pessoais, sempre sozinha, nunca mais arranjou marido, ou sequer outro homem entrou na sua vida.

Os filhos estudaram, dois são advogados, uma filha iniciou um negócio de sucesso de venda de comida e outro foi trabalhar numa grande empresa.

Com os filhos criados e cada um na sua casa, com a vida realizada, e já com idade para se reformar e descansar, assim o fez.

Mas mais uma vez a vida deu uma volta… Estava reformada não havia dois meses quando, numa consulta de rotina, lhe foi detectada uma doença, a maldita doença.

Depois de muitos exames e consultas, já exausta e a precisar cada vez mais de cuidados diários, sem querer dar trabalho aos filhos, pediu para a internarem.

Os filhos, cada um com a sua vida, esquecendo toda a vida que a mãe e só a mãe lhes dera, assim o fizeram.

Vive agora num lar, apesar da doença não ter cura. Todos os dias vence mais uma batalha, todos os dias luta, e todos os dias vive a dar amor, carinho e atenção a todos os outros utentes.



Os filhos visitam-na quando podem, ou querem, mas Maria recebe-os sempre com todo o amor de mãe, nunca cobrando algo a que tinha direito.

Maria é uma das muitas Marias que existem por esse mundo fora, uma mulher de coragem, forte, que teve como princípio de vida o amor. E por amor continua a viver.


Maria Capaz

Comentário da Isabel: Eu penso que Maria fez bem. Para isso existem os lares, as casas de repouso. Ali tem as refeições a horas, não necesita trabalhar nem na cozinha nem na limpeza, é tratada com carinho e atenção, é acompanhada às consultas do hospital. Se estivesse nas casas dos filhos passaria o dia sozinha, tinha que preparar as suas refeições e à noite quando já era hora de ir descansar era quando os filhos e os netos chegavam a casa e era uma confusão. Seguramente são os filhos que lhe pagam a estadia no lar. Eu costumo dizer que é preferível não ser tratada com o carinho da familia do que ser mal tratada pela familia e sentir-se um estorvo.