sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

POEMAS PARA A NOITE INVARIÁVEL






IV

Gasto-me à espera da noite impraticável 
fiel 
sugo os lábios da noite 
invariável caio 
nos poços da noite 
Gasto-me à espera da noite alheia 
amassada de gargalhadas doces e areia 

Amor anoitecido vem 
tecer-me um vestido 
nocturno 
Atraiçoo os anúncios luminosos 
até a lua nova sabe a ausente 
- e eu anavalhei-te com naifas de ansiedade- 

Estou à espera da noite contigo 
venham as pontes ruindo sob os barcos 
venham em rodas de sol 
os montes os túneis e deus 
Estou à espera da noite contigo 
livre de amor e ódio 

livre 
sem o cordão umbilical da morte 
livre da morte 
estou 
à espera 
da noite 

Luiza Neto Jorge, A noite vertebrada



Porto de Abrig
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