terça-feira, 19 de janeiro de 2016


O homem que gostava de flores.



Canteiro, flores vivas, outras nem por isso, na Avenida de França


Meio-dia. Inicio uma das habituais caminhadas pelo centro da cidade. Pela primeira vez este ano retomo a minha indumentária favorita: pólo, jeans e botas de montanha. A brisa traz cheiro de Primavera, chilrear de passarada, cães com um sorriso de felicidade.

Noto a profusão de flores; num ápice, canteiros desabrocharam, árvores floriram, como que aproveitando estes dias de sol para se exibirem orgulhosamente. Penso que gosto de flores. Por ser um presente efémero ou considerado pouco másculo, aos homens nunca se oferecem flores, mesmo aos que como eu as apreciam. Recebi flores uma ou duas vezes. Na próxima em que for presenteado com esta dádivas da natureza provavelmente estarei morto, incapaz de lhes sentir o cheiro, apreciar a forma das pétalas. É um preconceito pateta, certamente que como eu, muitos homens apreciarão flores. Ofereçam-nas.



 Árvore na Praça Carlos Alberto
Diário do Purgatório