sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

NA VELOCIDADE DO TREM

Gostava da ideia de andar de trem, achava que tinha algo de romântico nisso, talvez pelos filmes que assistiu, mas era isso, Cesse tinha uma imagem bonita do trem. E lá estava ela andando em um pela primeira vez, indo visitar sua prima e estava viajando sozinha, o que acontecia também pela primeira vez.
Cesse nem sempre admitia, mas gostava de passar um tempo sozinha consigo e com esse inquilino que parecia morar dentro dela e que às vezes brigava com ela por ser tão careta. E na verdade não era caretice, era só medo. Pensava demais e achava que provavelmente ninguém iria suportar ficar tanto tempo ao seu lado. Amava café e tinha dias que só queria chocolate e um bom filme.
Quem em sã consciência iria passar muito tempo com ela – se perguntava. Era tão chata por vezes que nem suportava a si mesmo, queria falar dos problemas do mundo, do feminismo, do quanto queria ser independente, e do quanto queria viajar e conhecer lugares diferentes, ir a bons shows e dormir escutando o barulho do mar.
Estava gostando de olhar as colinas e todos os tons de verde das árvores e do azul claro do céu, tinha uma vontade imensa de mergulhar nesse azul e esvaziar todos os seus pensamentos, queria sentir menos, talvez assim a vida fosse mais fácil. Era para ser simples.
Seu pensamento perambulava entre as coisas na mesma velocidade do trem em que estava. E na verdade ela só queria não pensar em nada, só ficar quietinha mentalmente.
Só não sentir, mas sentia tanto.

Borboletas e Nostalgia