segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

FEITIÇARIA



Tenho de analisar, perceber, ou então buscar apoio psicológico
para esta minha atuação, caráter forte, este agir sem medo
embora algumas das minhas atitudes evidenciem fraqueza
que só eu dou conta, observo, pressinto, sinto, com clareza
sobretudo quando me tocas, enlaças, me beijas e abraças
ficando eu em labaredas, num frenesim ilógico e patológico
que só posso entender como algo paranormal, talvez bruxedo.

E tu és tão desmiolado e tarado, tão deslavado e descarado
que, a altas horas, de madrugada, em que já não sei nada
ligas-me com voz quente, deixando-me em efusiva ebulição
sabendo eu, de antemão, que não existe qualquer alternativa 
senão render-me, entregar-me às tuas endiabradas mãos
assim inteira, exposta, bulindo para que venha logo a resposta
que não tarda e não falha, homem, que me atiça e me enfeitiça.

Amanhã, tenho a certeza, que vai acontecer tudo outra vez
numa nova viagem, que pode terminar em qualquer paragem
no chão, no soalho, até na mesa da cozinha, ou no colchão
pois parece que fizeste magia, usaste e abusaste de feitiçaria
e dizem que quando amamos demasiado, o juízo é eliminado 
esquecendo as opiniões, as oscilações, e até mesmo o depois
pintando, colorindo a realidade com pinceis feitos de verdade
e enquanto ninguém dá por isso, nem ninguém desconfia
fazemos amor, seja lá onde e como for, que nos alivia e sacia.

É sempre assim, pois foste pensado, criado, talhado para mim
portanto de nada serve refletir, inquirir, pensar, questionar
porque não desejamos explicações, plausíveis ou incríveis
apenas sabemos e pretendemos fazer morada um no outro
aproveitando tu logo para seres o proprietário do meu corpo.

Ah, Amor, mas eu vou mostrar-te, vingar-me e desforrar-me
conduzindo-te, prendendo-te, arrastando-te, embeiçando-te
para a apreciação de uma dança divinal, sensual e oriental
que irei executar apenas para ti, com performance exclusiva 
(agora só para vocês, meus queridos leitores, ai que pavor!)
mas estou com receio que me devores e não saia daqui viva.

CÉU 


Ausentedoceu