quarta-feira, 20 de janeiro de 2016


Bullying: as faces de uma violência oculta.




Uma violência física, mas muitas vezes, psicológica: este é o bullying, termo que tem origem na palavra inglesa bully, que significa brigão, valentão. Na prática, traduz-se em actos de covardia, tirania, agressão, opressão, maltrato, ironias, que acontecem de forma repetitiva, e não necessariamente com uma agressão física, mas na maioria das vezes acompanhado de tratamento ofensivo e ameaças e torturas psicológicas. Estas agressões possuem um carácter intencional, e muitas vezes a pessoa que sofre o bullying pode ser abordada por uma ou por várias pessoas.

Forma de violência que tem crescido no mundo, pode fazer vítimas em diversos contextos sociais: escola, família, universidade, vizinhança, local de trabalho. Pode começar com um simples apelido “inofensivo” mas, que pode ter grande repercussão para a pessoa atingida.

Sabemos que esta prática existe a muito tempo, mas nem sempre recebeu este nome. Estudos mostram a preocupação de vários sectores da sociedade com o crescente número de casos, especialmente nas escolas.

Aquele que sofre com o bullying, muitas vezes vive este processo sozinho. Podemos observar que, além do isolamento ou da queda do aproveitamento escolar de uma criança ou jovem, eles podem iniciar um processo de adoecimento psicossomático, de estado emocional, sintomas depressivos, stress elevado, e tudo isto somado pode afectar sua personalidade. Ao ser ridicularizada a pessoa passa a não enfrentar mais o contacto social e aos poucos perde o prazer em actividades sociais, escola, lazer ou qualquer situação em que necessite se expor, por medo de ser novamente vítima deste processo. Este fenómeno leva a pessoa vítima da agressão, mobilizar seu medo, a angústia e muita raiva reprimida e até mesmo sentimentos de culpa, como se ela fosse responsável pelos ataques que sofreu. Muitas vezes não há denúncia, pois o agredido tem medo de ser ainda mais perseguido, e o agressor vale-se deste silêncio, como protecção e anonimato.

Um dado muito importante deve servir de alerta para todos nós: estudos mostram que em 80% dos casos, aqueles que praticam a violência afirmam que a causa principal do comportamento agressivo é a necessidade de replicar em outras pessoas a violência que sofreu em casa ou na própria escola Suas atitudes envolvem a necessidade de dominar, de impor autoridade e coagir, desejando, na verdade, ser aceito e pertencer ao grupo e de chamar a atenção para si. Mostra ainda, a dificuldade de lidar com seus sentimentos, de colocar-se no lugar do outro e perceber os sentimentos das pessoas.

Aqueles que agridem passam a ter um comportamento de distanciamento e da dificuldade em alcançar um bom rendimento escolar; nota-se que valoriza muito a violência como fonte de poder e tais fatos podem levar a comportamentos desadaptados na fase adulta.

Nosso papel é trabalhar junto aos grupos sociais nos quais vivemos, começando pelo núcleo familiar, o trabalho de valorização de princípios como respeito às diferenças, tolerância, convivência fraternal e de acolhimento das pessoas, valorizando a harmonia e a disponibilidade e refazer sua história, pois embora deixe lembranças, é possível refazer o caminho de vida, tanto para agressor quanto para agredido. É importante que pais, educadores, religiosos, líderes comunitários, empresas, possam conversar abertamente sobre este assunto, visando propostas para reverter este quadro.

Se existe uma cultura de violência, que se dissemina entre as pessoas, é importante que possamos espalhar uma contracultura de paz, especialmente nas crianças, que precisam ser moldadas e nelas semeadas boas sementes, de paz, amor, harmonia. Vivemos um tempo de aprendizado do como lidar com isto: escolas, pais, agressores e agredidos muitas vezes não sabem o que fazer, mas o grande plano neste momento é aprender através do incentivo de gestos de compreensão, de cada vez mais cultivar o respeito às diferenças individuais e ao olhar de fé e atitude de cada um de nós.



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