sábado, 9 de janeiro de 2016

A TUA LUCIDEZ É UMA SERPENTE



eletrochoques ritmam a melodia,
já não tenho mais corpo,
meus olhos se fundiram
para além das janelas 
sujas do teu quarto.
escuto o teu grito de borracha abafado,
enquanto teu cérebro sofre da sanidade 
de mil elefantes.
tua verdade não é o mijo na calça,
nem o olhar mirando o nada, 
nem os teus delírios de infância
amaldiçoados por cachorros loucos.
Mondragón!
Mondragón!
Mondragón!
ecoa o grunhido desse bicho
que engole verdade 
e caga demência.
o real habita uma criança morta, 
se vê nos reflexos dos retratos 
daqueles que não lembramos mais,
está impressa com sangue nos mapas 
que apontam continentes desaparecidos.
pela loucura daqueles que se arrependem do suicídio.
pela insanidade dos que ensinam a liberdade no cárcere.
pelo amor que coloca secura nas flores.
pelo teu cigarro aceso e teu fumar de estrelas. 
por tudo isso e mais,
grito o teu nome:
Leopoldo! 
Leopoldo! 
Leopoldo!
tua lucidez 
é uma serpente com asas 
a voar pelos séculos.


tiago fabris rendelli

Canaldepoesia