sábado, 12 de dezembro de 2015

VIDA E MORTE DE SHARON TATE (4)








Sharon Tate engravidou no fim de 1968, e em em 15 de fevereiro de 1969, o casal se mudou para uma mansão em Bel Air, 10050 Cielo Drive. A mansão, de propriedade de Rudi Altobelli, tinha sido ocupada antes por seus amigos Terry Melcher e Candice Bergen. Tate-Polanski visitaram-na várias vezes e Sharon ficou excitada quando soube que ela tinha ficado vaga, referindo-se a ela como "a casa dos sonhos". Aquela casa grande, bela e luxuosa seria a última residência de Sharon Tate, ali foi onde ela viveu os últimos meses de sua vida até o seu assassinato. 


 
O casal Tate-Polanski fotografados por David Bailey, 1969.


Na madrugada do dia 9 de agosto de 1969, a mando de Charles Manson, um grupo de seus seguidores, todos eles jovens entre 20 e 23 anos, formado por Charles "Tex" Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Linda Kasabian, invadiu a casa de Cielo Drive e massacrou seus moradores. Foram mortos Sharon Tate, seus amigos Jay Sebring, Abigail Folger, Wojciech Frykowski, o caseiro William Garretson e seu amigo Steven Parent. Na noite seguinte, o mesmo grupo, acrescido de Steve Grogan e Leslie Van Houten, cometeria outro bárbaro assassinato nos mesmos moldes, em outro local da cidade, matando o casal Leno e Rosemary LaBianca. Todos mortos com requintes de extrema crueldade e barbárie. A comoção causada pelo que foi chamado Caso Tate-LaBianca foi sem precedentes. Além da onda de choque que atingiu o mundo inteiro, a população de Los Angeles entrara em pânico, os ricos e famosos estavam aterrorizados, todos se sentiram em perigo, o clima de tragédia somou-se à tensão esmagadora que amedrontara todos diante de um episódio tão macabro. Sharon Tate foi sepultada em 13 de agosto de 1969, no Holy Cross Cemetery, em Culver City; ela tinha apenas 26 anos de idade.


Sharon Tate costumava dizer que sua vida inteira fora decidida pela fatalidade, pelo destino ou pela sorte, que ela nunca havia planejado nada. Porque Sharon? Porque tão triste? Às vezes o destino se faz incessantemente cruel, e o destino, infelizmente, pôs a jovem Sharon na rota de colisão de um ícone do mal. Porque ela? São perguntas sem respostas. O futuro dela seria lindo e luminoso, se sua vida não tivesse sido interrompida daquela maneira tão horrorosa. Sharon não tinha que morrer, Sharon ainda não tinha vivido sua vida, nem o seu filho. Ela tinha apenas 26 anos de idade, não estava no auge da sua carreira, era uma estrela em ascensão, seu bebê nasceria dali a menos de um mês e ela sentia muitas saudades do marido que tanto amava. De fato, tinha muito o que viver. Sharon não podia ter tido sua vida bruscamente acabada. Nesta história, não existem lições a serem ensinadas, existem vítimas e Sharon Tate foi uma delas. Ninguém nunca poderá responder porque as coisas tiveram de ser tão horríveis com ela. Triste. 




Nos anos que se seguiram ao seu assassinato, Doris Tate, sua mãe, saiu da depressão e começou a lutar pelos direitos da vítima. Em nome de Sharon, ela participou dos julgamentos dos membros da Família Manson que tinham assassinado sua filha. Ela conseguiu uma mudança na legislação, permitindo que parentes de vítimas pudessem dar seus depoimentos pessoais nas audiências de pedidos de liberdade condicional de presos por assassinato na Califórnia, e ela foi a primeira pessoa a exercer este direito. Doris lutou ativamente para que a lei começasse a valer nos livros de direito e fosse cumprida. Então, a lei foi ampliada e passou a valer em todos os estados da nação norte-americana. Ela também falou com outros membros de famílias vítimas de crimes hediondos.


Doris falou aos presidiários que sentia que eles podiam ser reabilitados, contando-lhes sua perda e os anos de depressão que se seguiu, na esperança de que eles não iriam, após a libertação, passar a cometer mais e cada vez mais crimes violentos. Quando Doris Tate morreu, em 10 de julho de 1992, Patti, a irmã caçula de Sharon, assumiu a luta que sua mãe iniciou. Em nome de Doris foi fundada a Doris Tate Crime Victim's Bureau.



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