quarta-feira, 23 de dezembro de 2015


ÚTERO

por Brunno Soares




Se eu tivesse um útero,
diria, com toda certeza que de lá
eu tiraria as minhas palavras.

Porque toda palavra é concebida nas entranhas.
É no espaço que cabe o começo da vida
que se começa a engravidar dos versos.

Se eu tivesse um útero,
moraria nele a minha lucidez.

Eu saberia que a palavra nasce
para ser alimentada pelo cordão
umbilical da necessidade.

Se eu tivesse um útero,
toda palavra seria gentil,
seria derivada da luz,
sem sombra de dúvidas.

Se eu tivesse um útero,
seria um homem inteiramente
mulher de palavra.

*