quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Pela calada da noite...


PELA CALADA DA NOITE



"Se há dias em que a azáfama dos dias em família nos enche os olhos de ternura e carinho, há outros em que o silêncio é a melhor prenda que a noite nos traz.

Reabrir o livro onde deixámos o marcador, puxar a manta mais acolhedora e ouvir apenas o crepitar da lareira. Afastar do pensamento o que fizemos e o que falta fazer, e concentrar-nos apenas…" no livro que temos à nossa frente. Com ele sonhamos, viajamos, sorrimos e até choramos.

"O que inspira em nós bem-estar, conforto e paz," são esses pequenos momentos que nos trazem recordações da nossa vida passada, da nossa infância, da nossa juventude, da nossa família que já partiu. É especialmente nesta época de Natal que pessoalmente estou mais melancólica, mais ansiosa e prefiro estar no meu sofá como se estivesse em "Retiro", sempre acompanhada com música com o volume baixo.


Não gosto do corre corre, da loucura das grandes superfícies, ter de fazer filas para adquirir coisas que quando as conseguimos ao fim de algumas horas, já não sentimos tanto prazer, já estamos cansadas. Para que isso não aconteça tento abastecer-me de tudo o que necessito no principio de Dezembro.

Isso sim não abdico de fazer os meus doces de Natal, agora já não em grande quantidade. Sigo com a tradição de amassar as filhós de abóbora na tarde da véspera do dia 25. Era assim que a minha mãe fazia, lembro-me do nervosismo dela porque a massa não fintava, levantava uma ponta de dois ou três cobertores para ver se a massa já tinha crescido, mas a cruz que ela havia feito na massa a dizer a ladainha ao mesmo tempo "Que Deus te acrescente que é para muita gente", ainda não tinha desaparecido. Para amenizar a situação íamos para a cozinha cantar, o  cheiro a bacalhau cozido e couves já queria dizer que em breve iriam para a mesa e sem dar quase por isso a minha mãe já com as mãos untadas com azeite ia tendendo e fritando as filhós e como as primeiras não saem muito bonitas talvez porque o óleo ainda não está muito quente, eram essas que os que permaneciam na cozinha provavam acompanhadas de Vinho do Porto ou vinho de mesa, tinto.

Filhós da Beira-Baixa

Hoje em dia talvez porque os fermentos estão mais desenvolvidos, as massas levedam mais rápido mas tem de levar o seu tempo. Eu enrolo o alguidar numa manta e coloco por cima do aquecedor a óleo e já aconteceu eu ir espreitar e a massa e ela já estar colada ao pano.

"E prepararmo-nos para que amanhã… tudo recomece."

Este texto, ou seja, as frases que se encontram entre aspas, são parte de um texto da Matinal. O resto foi desenvolvido por mim própria. Espero que os meus amig@s gostem e que a Matinal não se aborreça com esta minha invenção.

"A Matinal inspira-nos".