quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O QUE ESTÁ EM LIVRO ALGUM





"Quando alguém procura muito, pode acontecer facilmente que seus olhos se concentrem exclusivamente no objeto procurado, e que ele fique incapaz de achar o que quer que seja, tornando inacessível a tudo e a qualquer coisa porque sempre só pensa naquele objeto, e porque tem uma meta que o obceca inteiramente. Procurar significa: ter uma meta. Mas achar significa: estar livre. Abrir-se a tudo e não ter meta alguma. Pode ser que tu, ó veneravel, seja realmente um buscador, já que no afã de aproximares de tua meta, não enxergam certas coisas que se encontram bem perto dos seus olhos" - Sidarta. Hesse, Herman.

Acordei e olhei para o relógio. Passaram-se cinco anos e eu simplesmente não percebi. O que era de mim há cinco anos? Quais meus objetivos e meus planos? Acordei e percebi que passei todos esses últimos anos me esforçando, correndo, desesperada contra o tempo. Me fiz e desfiz mil vezes, fiz e desfiz amizades, investi, acreditei, mudei de opinião, mudei de relacionamento, desejei muitas coisas e apostei muito alto. Como o coelho da Alice: sempre atrasada! Sempre atrasada! De repente, o destino como força universal, me fez parar! Afinal para onde eu estava indo?



Livros de autoajuda e tantas outras fontes de informação estão constantemente nos advertindo que a melhor maneira de conseguir o que quer é correndo atrás, com pensamentos positivos. Tendo fé, força e foco você alcançará TUDO o que sempre desejou. Mas o que você sempre desejou?

Como tantas outras pessoas, por tantos outros motivos, fui obrigada a parar. Afinal não era assim que planejei a minha vida. As coisas fugiram do meu controle e lutar contra o tempo, me deixava cada vez mais cansada. Foi aí que resolvi escutar a voz do destino, no sopro das eventualidades, me refugiei ao isolamento para encontrar-me comigo mesma por dez dias. Dez dias em total silencio, num recanto longe da civilização, contato mínimo com a humanidade. Ao deparar-me com os ensinamentos do Dhamma, percebi quão frágil e desordeira levamos essa vida e quão inocentes somos ao tentar, muitas vezes de forma inútil, tomarmos todas as decisões de nosso destino.

Hoje o que eu posso lhe dizer das metas se não tenho meta alguma ou melhor, se todas são minhas metas? Acreditar na mão do destino que a mesma mão de Deus, me faz ser livre! Tornemo-nos espectadores da vida, não aquele que corre desordeiro no destino, mas aquele que observa a vida como um rio, o respeita e o entende, o observa e o escuta. Não é você que deverá ensinar a vida, mas a vida lhe trará os ensinamentos.



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