quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O PODER DA LÍNGUA






Conta-se que certa vez um mercador grego, rico, ofereceu um banquete com comidas especiais. Chamou seu escravo e ordenou-lhe que fosse ao mercado comprar a melhor iguaria.

O escravo retornou com belo prato. O mercador removeu o pano e assustado disse:

- Língua? Este é o prato mais delicioso?

O escravo, sem levantar a cabeça, respondeu:

- A língua é o prato mais delicioso, sim senhor. É com a língua que pedimos água, dizemos ‘mamãe’, fazemos amigos, perdoamos. Com a língua reunimos pessoas, dizemos ‘meu Deus’, oramos, cantamos, dizemos ‘eu te amo’.

O mercador não muito convencido, quis testar a sabedoria de seu escravo, e o mandou de volta ao mercado, desta vez para trazer o pior alimento. O escravo voltou com um lindo prato, coberto por fino tecido. O mercador, ansioso, retirou o pano para conhecer o pior alimento.

- Língua, outra vez? Disse, espantado.

- Sim, língua, respondeu o escravo.

É com a língua que condenamos, separamos, provocamos intrigas e ciúmes, blasfemamos. É com ela que expulsamos, isolamos, enganamos nosso irmão, xingamos pai e mãe.

Não há nada pior que a língua; não há nada melhor que a língua. Depende do modo que a usamos.

Muitos males têm sido causados por uma só palavra ou frase proferida. Diz um ditado que ‘falar é prata, calar é ouro’. Palavras ferem, matam, magoam, semeiam dúvidas, fazem pecar, geram ódio e, muitas vezes, quem diz o que quer, ouve o que não quer.

Uma palavra, uma frase, podem doer mais que a dor física. A dor física pode cessar com um medicamento, mas a dor provocada por uma palavra ou frase, muitas vezes nem o tempo apaga e, quando apagada, costuma deixar cicatrizes.

O piloto de um navio dirige-o para qualquer direção controlando um pequeno leme. Da mesma forma um cavalo é dirigido por nós quando lhes pomos freios na boca.

Que possamos usar nossa língua para dizer o quanto amamos nossos entes queridos e amigos; para perdoar a quem nos ofende, para pedir perdão a quem ofendemos, para oferecer ajuda ao necessitado, para elogiar, para ensinar, para proclamar a paz, para repelir a guerra, as fofocas, as intrigas, a inveja, a maledicência.

Arca do Autoconhecimento


Autoria desconhecida