sábado, 19 de dezembro de 2015

O NATAL DE ONTEM E O DE HOJE...


Quis o Acaso,o Destino, a Sorte ou o Fado ter nascido numa família pequena, mas sólida, de uma classe média bem estruturada.
O que quero dizer com isto é que pelo Natal, quando era miúda lembro-me de fazer uma longa lista de pedidos de presentes, não propriamente ao Pai Natal, mas aos pais. E o que era certo,é que vulgarmente esses pedidos eram aceites,ou não fosse eu filha única ...

Hoje,casada,com filhos ( a viverem longe de Portugal!) e avó de uma pequenita já não tenho uma lista minha,mas dos outros. Não é exaustiva, nem poderia ser nos tempos em que vivemos e pela consciência de todos dos problemas que afligem a sociedade em geral.
Mas os presentes não são meias,cuecas ou chocolates,como antigamente...agora temos telemóveis,iPads, consolas de jogos...

Dantes, tudo era tão certo !!!
O mês de Dezembro era vivido com um frenesim, uma agitação gostosa,pois os tios os primos e um casal de vizinhos com a filha da minha idade sabiam que o Natal era minha casa. Reuniamo-nos todos em torno de uma mesa comprida,bem recheada de fritos caseiros. Ao fundo da sala,via-se a árvore de Natal de pinheiro verdadeiro,comprado no mercado, enfeitada de bolas coloridas e com pedacinhos de algodão a imitar a neve. Em baixo, fazia o presépio com musgo e colocava em socalcos as figuras que levavam os presentes ao Menino Jesus,em honra do seu nascimento. Ao centro, a cabana do Menino, com a Nossa Senhora e S José e a vaquinha que aquecia a Família.

Sentavamo-nos por volta das oito da noite. Primeiro o tradicional bacalhau e ovos cozidos, batatas,couves e grão . Seguia-se o bolo rei,o arroz doce, (que a minha mãe fazia muito bem), os frutos secos e " os casamentos " ( figos recheados com nozes) , as fatias douradas e as filhoses feitas em casa. Para isso,lembro-me da minha mãe se levantar bem cedo,dia 24 de Dezembro e começar a amassar. Por vezes, também a ajudava, principalmente a pôr a canela e açúcar por cima dos fritos.
E nós,os miúdos esperávamos  ansiosamente pelo bater das doze badaladas e corríamos à cozinha,onde já tínhamos previamente colocado o sapatinho,junto à chaminé.


Hoje,são proibidos os pinheiros verdadeiros ( por razões ecológicas,concordo) as bolas coloridas desapareceram. Ou são douradas,prateadas,ou outras que sejam diferentes das dos amigos e vizinhos
( que não sabemos como se chamam !!!) O presépio, quando existe...foi comprado já montado em barro pintado,ou até mesmo de plástico...

Hoje, o local da ceia de Natal é rotativa : ora em casa de um filho,ou da filha, dos pais da nora,ou de uns tios. Nada é certo...dispersamo-nos por casa de um,no dia 24, e em casa de outro no dia 25.
O bacalhau ,por vezes, já não é cozido...as couves portuguesas foram substituídas por brócolos ou
grelos congelados... ( não há paciência para lavar as couves!)o bolo rei, passou a ser bolo rainha. Já não há arroz doce. Existe sim vários e excessivos doces, comprados numa pastelaria fina, em que tivemos horas na fila de espera. Os fritos são comprados, porque dão muito trabalho a fazê-los ,além de deixarem um cheiro enjoativo na casa e fazerem mal ao fígado. Será que os antigos não tinham fígado???


Até o tempo é diferente !!!
Antigamente o mês de Natal era frio, ventoso, chuvoso e até mesmo com tempestades,o que fazia com que todos estivéssemos mais unidos, num calor humano.

Agora, temos um Dezembro primaveril, com temperaturas entre os 19 e os 21 graus! Parece mesmo que o tempo atmosférico também se modernizou...

Pois...dantes tinha dezasseis anos,e hoje... vários dezasseis!!!

Texto da minha autoria.