terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O MUNDO É COMO NÓS O VEMOS,E NÃO COMO ELE É



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Muito estranho parar para pensar e ver que a mesma rua que vemos não é a mesma rua que os outros vêem. A forma de ver o mundo está dentro da cabeça de cada um de nós e isso muda de acordo com o humor e com a fase da vida de cada um. Quando eu era criança, meu coleginho era uma casa com um grande escada no meio que levava até as salas. Esses dias passei lá perto e notei que sou quase da altura da escada. Quando eu era criança, aquilo parecia tão grande... Teoricamente eu e minha professora víamos a mesma escada. Para mim, ela levava ao céu, para ela, bastava ela ficar do lado, esticar o braço para cima e voilá!, logo ela alcançaria seu topo.
Estou escrevendo isto porque estes dias notei uma melhora em meus pensamentos. Outro dia, o texto que escrevi sobre ansiedade aqui na Obvious, aquilo tudo era real. Eu me senti realmente da forma como escrevo naquele texto. É absolutamente horrível. Conversando com outras pessoas a respeito dessas crises de ansiedade, notei que isso é muito comum 
em que mora completamente sozinho. Sair de casa e chegar em casa sem ter ninguem para dar um oi... Somente a sensação de ter alguém em casa... Isso muda tudo. Muitas vezes estamos acompanhados de nossas famílias e nem ficamos conversando com eles quando estamos em casa. Mas saber que tem alguém alí, alguém na cozinha fazendo uma jantinha cheirosa, um pai alí na sala gritando com o futebol e um irmão no quarto jogando vídeo game dá aquela velha sensação de aconchego.
Na época em que eu me sentia muito sozinha e tudo mais, eu via o mundo com olhos diferentes dos que eu vejo hoje. Outro dia, saí de casa e notei que a rua estava mais bonita, mais alegre, mais iluminada, mais calma, com um cheiro de conforto.
Claro que comecei a me indagar se eu estava notando tudo diferente porque as férias estavam se aproximando e, portanto, eu estaria mais animada em sair na rua por isto. Pode até ser, mas a conclusão que cheguei foi que eu mudei.
Podemos não nos dar conta, mas estamos em transformação todos os dias de nossas vidas. A cada dia que passa, alguma coisa vai mudando em nossas mentes e é justamente por isso que eu não penso que não exista cura para algum problema psicológico, ou que exista amor que não passe, ou dor que não cure. Não existem pessoas imutáveis em suas opiniões e se alguém tentar lhe convencer disso, desconfie. Não confie em quem jura amor eterno, em quem se diz muito fechado com opiniões. Porque nem estes devem saber que estão errados.
Tudo muda, tudo passa. A vida é assim. Este é o maior ensinamento que tive do Budismo recentemente. A partir do momento em que entendermos a transitoriedade da vida, aceitaremos tudo com maior facilidade e, da mesma forma em que passaremos a ter em mente que coisas boas passam, coisas ruins também passam.
Ao termos consciência de que tudo de bom passa, aprendemos a ser menos apegados a tudo que existe em nossa vida. Ser apegado é natural do ser humano, afinal, precisamos de certos padrões para vivermos, mas o apego excessivo a coisas ou pessoas, não nos faz bem. É por isso que vemos pessoas sofrendo meses ou anos por términos de namoro, por exemplo. Isso é reflexo de um apego que deixou de ser saudável. Neste tipo de relação, um lado da relação passou a ser o ar que o outro lado respira. Nossas vidas têm que nascer em nós mesmos e não em outras pessoas. Nossas alegrias têm de ser cultivadas dentro de nós.
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Pois é assim que passamos a ver a rua diferente, mais iluminada, mais leve.
É por isto, que já venho me sentindo mais segura de mim mesma, agindo da forma como eu quero agir e me sentindo responsável por minhas escolhas. Porque agora penso que nada é para sempre.
Por isso viva, diga o que pensa e seja feliz. Se dissermos o que pensamos de forma leve e com alegria, não ofenderemos ninguém e não assustaremos ninguém. Mas para dizermos coisas assim, é preciso pensar assim. Viver assim.
Se ama, diga que ama. Se gosta de alguém, diga. Viva. Sinta. Mas não espere reciprocidade. Não cobre, não sufoque. Assuma as consequências de suas decisões e sentimentos. Não existe isso de negar sentimento. Ou sente, ou não sente. Ponto. Descomplique.
Se sente, viva este sentimento e deixe que o tempo tudo resolve. Apenas não sufoque este sentimento por medo de que haja mudanças. Tudo muda, inclusive você. Portanto, aproveite todos os momentos, pois nem vivos estaremos para sempre. Nada é para sempre.


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