terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Não há relógios 100% exactos


É por isto que não há relógios 100% exactos
Por muito sofisticado que o relógio seja, a hora dada nunca será a mais precisa. Mais segundo, menos segundo. Ou até menos do que isso.



Os relógios são acessórios de moda, peças de decoração, obras de arte e um dos objectos mais essenciais e imprescindíveis de todos. Os relógios marcam o tempo, revelam as horas e ditam o horário. Mas serão sempre precisos?

Não. Longe disso, até. Por muito mínima que seja a falta de precisão, um relógio nunca dá a hora exacta, revela o Buena Vida, do jornal espanhol El País.

Em causa, estão os factores físicos e os factores astronómicos. Como explica o docente José Luis Fernández, num relógio existem “dois aspectos importantes: a precisão e a fidelidade”, contudo, “nas entranhas de um relógio há sempre um componente interno que oscila de forma natural”, sendo que “a precisão é maior quanto maior dor a frequência dessa oscilação”.

Porém, destaca o investigador do Instituto de Física Teórica de Madrid, “a fidelidade [de um relógio] está relacionada com a estabilidade do oscilador”. Mas um relógio apenas seria infinitamente fiel dentro de um movimento mais perpétuo. E o que é que mais se aproxima de tal? Os electrões dentro de átomos, uma vez que a Física diz que os átomos são sempre idênticos e as suas propriedades não se alteram com o tempo caso não sejam afectados ‘externamente’.

Assim sendo, diz o físico, apenas os relógios atómicos podem, “teoricamente”, ser fiéis. Mas “se queremos algo ainda mais preciso, temos que usar um oscilador mais rápido, tal como os processos nucleares”, contudo, existe um problema: diz o princípio da incerteza de Heisenberg que lidar com menor energia faz crescer a dificuldade.

Mais concretamente, quanto menor for o comprimento de onda (maior frequência) maior é a precisão, porém, quanto maior for a energia cedida pela radiação maior será o recuo que o eléctron sofrerá. O resultado? A velocidade sofrerá uma alteração não de todo previsível, explica o site do Prémio Nobel, distinção que o físico recebeu em 1932.

Para José Luis Fernández, operar com um relógio nuclear “é complicado, por razões óbvias” e, por isso, o “tempo correto não existe num sentido estrito” e um “relógio está longe de dar isso”.