sábado, 5 de dezembro de 2015

NÃO HÁ DISTÂNCIA MAIOR

Vou incomodar-te e desculpa por isso. Quero remexer nessa dor abafada pelo esquecimento de ti. Fazer soltar e saltar essa pedra que trazes no sapato e que não te larga o pé. 

Há quanto tempo tens saudades de ti?

Não me digas que é impossível não teres. Tens e tens muitas. Daquela altura em que gostavas de ti. Em que saías de casa com perfume e estavas capaz de cantar pelo caminho todo. 

Para onde foi essa emoção? Quem ta engoliu e porque deixaste que te abalassem?

Vou incomodar-te e quero que sintas isso. Quero remexer e fazer-te sentir que aos poucos te podes recuperar. 

Colocas-te para segundo plano em tudo. Primeiro os outros e depois tu. Quem cuida de ti enquanto cuidas dos outros? Quem te ampara, afaga os cabelos até adormeceres nessa saudade que tens de ti? 


Não há distância maior do que a saudade e, se não tens cuidado, corres o risco de te perderes sem retorno.

Ama-te. Ama-te primeiro e aos outros depois. 

Escuta-te a ti mesma. Bate com as duas mãos na mesa até a partires, se preciso for, para que percebas que existes. Que tu mereces o mundo tal como o querias.

Pára de protelar o tempo para te dares a ti e te cuidares. Estás assim há tempo demasiado.

Gostas do que vês ao espelho? De quem és? Do que construíste de ti? 

Pensa. Pensa. Pensa sem saudades. Encurta a distância e lembra-te que continuas a ser a pessoa de sempre. Pensa que por te lembrares dos outros te esqueceste de ti. 

Já nem te falam para perguntar como estás. Falam-te para pedir ajuda. E tu? Quem te ajuda?

O preço que estás a pagar é muito alto.

Estou a incomodar-te e sei disso. Estou a inquietar-te e sabes disso. 

Não há distância maior do que a saudade. Entre ti e ti, só há uma pessoa a impedir que esta distância se possa encurtar: tu.

Eu já tive saudades minhas. Não tenho mais. Estou comigo e sinto-me todos os dias, até naqueles em que parece que resvalo para o esquecimento. É um imperativo que me impus: lembrar-me de mim, mesmo que ninguém mais se lembre. Eu preciso de mim; 
mais do que eles de mim. Sem mim não sou nada.

Precisas de companhia para a despedida da saudade de ti? Estou aqui para o que for preciso.
  
Não há distância maior. Chega-te um passo para começar o caminho para a diminuir. Ou te diminuis ou diminuis a saudade de ti. A escolha será sempre tua. As consequências também.
mariacapaz.pt Sofia Fonseca Costa