segunda-feira, 7 de dezembro de 2015


Madrugadas Assim

Acordo no fim da noite, respiração suspensa, todas as dores fazendo ciranda.

E se não doesse? Mas dói. Em madrugada assim, dói o colchão vazio, o coração vazio, o oco no ventre. Em madrugadas assim me aconchego no colo dos medos e deixo que me trancem o cabelo e sussurrem canções no ouvido. Eu choro em madrugadas assim. O sono me repudia e vejo o tempo brincar de não passar. Em madrugadas assim, perco todas as lembranças e só a névoa cinza habita o olho. Em madrugadas assim sinto falta das luzes constantes da minha cidade, das casas abertas, da música alta, dos corpos em festa. Das farmácias íntimas. Em madrugadas assim soletro futuro com letras de solidão e deixo o amargo fazer travo no sentir. Em madrugadas assim.




Borboletas nos Olhos