sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

LANÇAR-SE



Lançar-se ao profundo e desarmar-se. É ter sobre si a imersão que comprime todas as outras vãs certezas. É o que descompassa o peito. Lampeja o indecifrável. Um incitar-se pelo desconhecido. Porque penso na dimensão. No inexplorável. Na ânsia que me remete a um novo fôlego. Sinto o peso dos ombros. A angústia de querer absorver o mundo todo num único gole me afronta. Piso fundo na riqueza que vem do "simples", palavra bonita que embala a gente numa vista para o novo. E me envolvo. E lá do fundo, tão desarmada, trago á margem um sentido límpido, vivo, pulsante, para que não mais essa carne contrita, essa vaga perspectiva. Não mais essas vestes incontidas. Não o que me era intransponível. Trago agora o sutil. O calmo.O imperceptível. E que entendam essa minha ousadia: é aqui onde me lavo. Onde disponho minhas amarras. De onde vim cuspida na incumbência de decifrar a vida em um olhar profundo por dentro. Rabisco-me através das purezas da vida, tais como: sentir além do controle e amar além dos limites. Revogo-me nas calmarias das águas claras. Por dentro dos olhos, onde me umedeço nas retinas e me vejo inteira. Recheada de simplicidade mútua para com todos a minha volta. Meu corpo se traveste de luz. Retoma a forma pueril que emplaca por entre minha carne e meu espirito. E minha pele se veste desta inocente dissertação, para mais tarde, após refletir a doçura por todos os poros, me rasgar e voltar a lançar-me dentro de mim.



Patrícia Vicensotti e Ju Fuzetto





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