domingo, 27 de dezembro de 2015

DEMASIADOS LIVROS

José Emilio Pacheco 





LOS DEMASIADOS LIBROS



A cambio de horas que no regresan
se acumulan los libros,
cajas de sueños, esperanzas, cóleras
que (es muy probable)
no leeremos nunca.

Por todas partes libros en desorden,
objetos de ansiedad, mudo reproche
de no haberlos abierto.

Miedo a morirse
sin hojearlos siquiera.

Con qué cinismo,
con cuánta desvergüenza o qué locura,
después de todo esto nos ponemos
a escribir otro libro.


José Emilio Pacheco




Em troca de horas que não voltam
acumulam-se os livros,
caixas de sonhos, esperanças, cóleras
que (muito provável)
não leremos nunca.

Por todo o lado livros em desordem,
objectos de ansiedade, muda censura
de os não abrir.

Medo de morrer
sem folheá-los sequer.

Com que cinismo,
que descaramento ou loucura,
depois de tudo ainda nos pomos
a escrever outro livro.

(Trad. A.M.)
Rua das Pretas
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