segunda-feira, 9 de novembro de 2015

UM CÉREBRO SEMPRE JOVEM





A sociedade está a ser varrida por um movimento chamado nova velhice. A norma social para as pessoas de idade era passiva e sombria; confinadas a cadeiras de baloiço, esperava-se que entrassem em declínio físico e mental. Agora o inverso é verdade. As pessoas mais velhas têm expetativas mais elevadas de que permanecerão ativas e com vitalidade. Consequentemente, a definição de velhice mudou. Num inquérito perguntou-se a uma amostra de baby boomers: "Quando tem início a velhice?" A resposta média foi aos 85. À medida que aumentam as expetativas, o cérebro deve claramente manter-se a par e adaptar-se à nova velhice. A antiga teoria do cérebro fixo e estagnado sustentava ser inevitável um cérebro que envelhecesse. Supostamente as células cerebrais morriam continuamente ao longo do tempo à medida que uma pessoa envelhecia, e a sua perda era irreversível.

Agora que compreendemos quão flexível e dinâmico é o cérebro, a inevitabilidade da perda celular já não é válida. No processo de envelhecimento — que progride à razão de 1% ao ano depois dos trinta anos de idade — não há duas pessoas que envelheçam de maneira igual. Até os gémeos idênticos, nascidos com os mesmos genes, terão muito diferentes padrões de atividade genética aos setenta anos, e os seus corpos poderão ser acentuadamente diferentes em consequência de escolhas de estilo de vida. Tais escolhas nada acrescentaram ou subtraíram aos genes com que eles nasceram; em vez disso, quase cada aspeto da vida — dieta, atividade, stress, relacionamentos, trabalho e ambiente físico — alterou a atividade desses genes. Com efeito, não há um único aspeto do envelhecimento que seja inevitável. Para cada função, mental ou física, podemos encontrar pessoas que melhoraram com o tempo. Há corretores da bolsa de 90 anos de idade que levam a cabo complexas transações com cada vez melhor memória ao longo do tempo.




O problema é que demasiados de nós aderimos à norma. À medida que avançamos na idade, tendemos a ficar preguiçosos e apáticos ante a aprendizagem. Deixamo-nos perturbar por menores focos de tensão, e esses focos de tensão perduram por mais tempo. O que dantes era descontado como "manias" de velho pode agora ser reportado à conexão mente-cérebro. Por vezes o cérebro é dominante nesta parceria. Suponha que um restaurante está demorado a sentar as pessoas com reservas previamente feitas. Uma pessoa mais nova obrigada a esperar na fila sente-se minimamente aborrecida, mal-estar que se dissipa uma vez sentada. Uma pessoa mais velha poderá reagir com um acesso de cólera — e permanecer ressentida mesmo depois de ser encaminhada ao seu lugar. Esta é a diferença na resposta ao stress físico pela qual o cérebro é responsável. De igual modo, quando as pessoas mais velhas se sentem subjugadas por demasiada informação sensorial (um ruidoso engarrafamento, um grande armazém apinhado de gente), os seus cérebros exibirão provavelmente uma função diminuída para aguentarem os tsunamis de dados do mundo fervilhante de atividade.

Em grande parte do tempo, no entanto, é a mente que domina a conexão mente-cérebro. À medida que avançamos na idade, tendemos a simplificar as nossas atividades mentais, frequentemente como mecanismo de defesa ou cobertor de segurança. Sentimo-nos seguros com o que conhecemos, e desviamo-nos do caminho para evitar aprender qualquer coisa nova. O comportamento é sentido pelos jovens como irritabilidade e teimosia, mas a verdadeira causa pode ser reportada à dança entre a mente e o cérebro. Para muitas, embora não todas, pessoas mais velhas, a música abranda. O que é mais importante é que não saiam da pista de dança — o que aplanaria o caminho para o declínio da mente e do cérebro igualmente. Em vez de fazer novas sinapses, o seu cérebro persiste em fixar-se nas que já tem. Nesta espiral decrescente de atividade mental, a pessoa mais velha terá eventualmente menos dendrites e sinapses por neurónio no córtex cerebral.

Afortunadamente podem ser feitas escolhas conscientes. Você pode escolher estar consciente dos pensamentos e sentimentos evocados pelo seu cérebro minuto a minuto. Pode escolher seguir uma curva ascendente de aprendizagem, independentemente da idade que tenha. Ao fazê-lo, criará novas dendrites, sinapses, e trilhos neuronais que realcem a saúde do seu cérebro.


Deepak Chopra, in 'Supercérebro'