domingo, 8 de novembro de 2015

Serve o champanhe gelado e em flutes? Faz mal!

Há hábitos que se enraízam mas que, afinal, estão errados. Uma das grandes produtoras mundiais da bebida veio a Portugal explicar porquê.

 



Anne Malassagne trabalhava na L’Oréal Paris quando, por contingências familiares, se viu praticamente obrigada a dirigir o negócio de produção de champanhe fundado pelo bisavô, Armand-Raphaël Graser, em 1920. «Se não o fizesse, o meu pai, que estava doente, teria de o vender, uma vez que os meus irmãos não lhe quiseram suceder», revelou, em meados de outubro de 2015, no primeiro jantar de champanhe promovido pelo The Vintage House Hotel Lisboa. Anos mais tarde, o irmão, Antoine Malassagne, juntou-se lhe à frente dos destinos da AR Lenoble.

Lenoble, em homenagem à expressão «o nobre», foi o nome escolhido por Armand-Raphaël Graser para, juntamente com as iniciais dos seus dois primeiros nomes, dar origem à sua marca. Dois anos depois do fim da I Guerra Mundial, o empresário, originário da Alsácia, não quis usar o apelido alemão para vender o produto que acabava de criar depois de se mudar de armas e bagagens para a aldeia de Chouilly, nos arredores de Reims, região francesa produtora de champanhe. Hoje, a empresa exporta para países como a Bélgica, o Reino Unido, os EUA e o Japão, os seus principais mercados.

Durante o jantar, onde foram servidos cinco das variedades de champanhe que integram o portefólio da marca, incluindo uma variedade rosé a acompanhar um prato de carne, lombinho de vitela braseado com fricassé de cogumelos, puré de batata amendoada e espargos verdes, Anne Malassagne foi contando a sua história e dando conselhos. «Sendo um vinho, deve ser saboreado em copos de vinho e não em flutes. Todos os vinhos necessitam de oxigénio para abrir», afirma a empresária.

A temperatura certa para servir champanhe

A temperatura a que os portugueses tendem a consumir a bebida é outros dos erros apontados pela bisneta do fundador da marca. «Não deve ser bebido frio. Muitas vezes as pessoas gastam muito dinheiro e champanhe e depois não o bebem da maneira mais correta, que é à temperatura ambiente», afirma a bisneta de Armand-Raphaël Graser, que, ironicamente, morreu depois de cair num tanque durante umas vindimas. Hoje, a empresa familiar, uma das poucas do género a funcionar na região, ocupa uma área de 18 hectares.

Para se apresentar no seu melhor, um champanhe deve envelhecer «pelo menos três anos», afiança Anne Malassagne, que não se cansa de elogiar o AR Lenoble Grand Cru Blanc de Blans 2008, um dos vinhos que apresentou em Portugal. «A colheita desse ano foi fantástica. Aconselho-vos a comprá-lo agora para o guardarem na garrafeira para beber daqui por 20 anos. É uma pena desperdiçá-lo agora», considera a empresária.

«O vinho é, acima de tudo, prazer», afirma ainda a especialista, que também contraria a ideia de que as mulheres só consomem vinho doce. «Não é bem assim», assegura. Para acompanhar o champanhe servido neste jantar, foi desenvolvida uma ementa especial que incluiu ainda croquetes de presunto, pataniscas de camarão, ostra escalfada com sabayone de cebolinho, filete de robalo com ravioli de camarão, puré de ervilha, cenoura baby e molho AR Lenoble Grand Cru Blanc de Blancs 2008, terminando com sericaia com mousse de ameixa e gelado de canela.

Texto: Luis Batista Gonçalves
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Entretanto fui procurar outras informações sobre este assunto e numa Visão também não aconselha a utilização de "flutes" ou "taças" como podem ler aqui.