domingo, 22 de novembro de 2015

RAÚL PEREZ










Raúl Perez, nascido no Minho em 1944, realizou a sua primeira exposição aos 28 anos. Ligado à corrente surrealista portuguesa, em particular a Cruzeiro Seixas, Raúl Perez consegue incluir-se nesta continuidade e, simultaneamente, libertar-se dela. Com obras expostas na Galeria de São Mamede em 1972, 1982 e 1985, participou igualmente em diversas exposições organizadas pelo escritor e pintor Mário Cesariny (1923-2006).



O surrealismo é, evidentemente, uma referência estruturante na obra de Raúl Perez mas, com a chegada tardia desta corrente artística a Portugal, teve aqui uma expressão muito residual. Personagem polémica e contestada, Mário Cesariny acreditava que «a ausência de estruturação conferiu ao surrealismo português uma enorme vitalidade externa» e salientava que em Portugal nunca existira um movimento surrealista, nem mesmo no ano da existência pública (1948-1949) do Grupo Surrealista de Lisboa. Este, após a publicação de quatro opúsculos, de uma manifestação pública e de uma exposição de pintura, acabou por se extinguir, dando lugar a um outro grupo que também desapareceria pouco depois. «O surrealismo português viveu e morreu, sem qualquer dúvida, clandestinamente.»



Raúl Perez é, evidentemente, herdeiro desta história, mesmo se enquadrando-se, antes de mais, nessa corrente outrora celebrada por André Breton, a da «arte mágica». Sonhos transformados em aparência e substância, as suas obras, simultaneamente inquietantes e perfeitas, assentam na materialização do enfeitiçamento.





"A arte é um prolongamento do sonho.
Desde cedo me apercebi que tudo o que eu desenhava às ocultas da "consciência" continha uma linguagem e uma filosofia próprias, semelhantes às dos sonhos; era como se os sonhos me saissem pelas mãos… um processo que se assemelhava a algo de mediúnico, e no qual eu representava um simples instrumento."
(Raúl Perez)