sábado, 28 de novembro de 2015

QUEM PRECISA DO MACHISMO ?



O machismo está nas entrelinhas. Em uma região onde o espaço e o sujeito são marcados pelo estereótipo de "macheza", violência e valentia, sendo esses motivos de orgulho, o homem nordestino é uma construção discursiva regionalista pautada na virilidade. Logo, a virilidade e violência são reproduções na necessidade lógica de afirmação.




Há alguns dias, navegando em uma rede social entre o ofício e o ócio, deparei-me com uma publicação de um amigo homem — como redundava minha vó — que dizia: "Eu preciso do machismo, pois...". Hesitei em ler o resto, mas ao invés de saber das justificativas para ser machista, automaticamente pensei, quem precisa do machismo? Não foi necessário refletir muito.

Os homens, desde meninos, são educados para o machismo. É muito comum se usar o termo "vire homem!", como conceito disciplinar quando o moleque comete algum deslize de meninice. Já as mulheres, desde meninas, são educadas para acolher a condição de opressão. "Comporte-se como menina!", diz a mãe mandando a menina sentar como mocinha. A partir da construção social do que é ser masculino, vão se tramando entre arquétipos, as relações sociais.

Até a leitura final desse artigo, uma pessoa do sexo feminino sofrerá algum tipo de violência, seja física, sexual, simbólica, doméstica ou institucional. Isso porque a cada cinco minutos uma mulher é agredida no Brasil, segundo o Mapa da Violência 2012 – Homicídio de Mulheres. A persistência da violência contra a mulher, lembrada no último final de semana pelo tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), demonstra-se importante para a reflexão das altas taxas de feminicídio no país.



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