sábado, 7 de novembro de 2015

PAIS SEPARADOS

Por Marcus Oliveira


Recentemente foi divulgada uma pesquisa que indica que o número de divórcios aumentou no país. Segundo o estudo feito pelo Colégio Notarial do Brasil - Seção São Paulo (CNB-SP), somente no estado, os cartórios realizaram 9.317 divórcios em 2010, um aumento de 109% em relação ao ano anterior, quando ocorreram 4.459 separações.

Com o fim dos casamentos, não só os adultos passam por uma crise, mas também os pequenos enfrentam a barra de ver os pais distantes. E a crise se renova quando os pais separados iniciam um novo relacionamento. Para poderem ´virar a página´, os pais devem pensar em formas de agregar os filhos à nova fase. E isso nem sempre é uma tarefa fácil!

Caso sério

A tendência natural para o casal que se separa é que, passada a crise inicial, cada um viva novas experiências afetivas, o que ajuda os adultos a retomarem a vida. Mas para que isso aconteça de forma tranquila, os cuidados com os pequenos são fundamentais. Por mais que os pais se dediquem a preservar os filhos, a rotina tende a mudar com um novo relacionamento. Diante disso, os pequenos podem demonstrar reações negativas, como, por exemplo, ficarem agitados, voltarem a fazer xixi na cama, apresentarem um comportamento mais agressivo, problemas na escola, etc.

De acordo com a psicóloga Antoniele Fagundes, em qualquer idade, sejam os filhos crianças ou adolescentes, é necessário explicar que o amor do pai e da mãe não irá diminuir. "Essa divisão não é matemática. Não significa diminuir a atenção dedicada. É preciso ser sincero e expor quando os pais começam a namorar outra pessoa. Apresentar a pessoa ao filho favorece o bom convívio e, caso surja a decisão de casar, haverá mais intimidade, sem sustos".

Vida real


A publicitária Inês de Souza, 32, viveu na pele essa situação. Quando a filha Mariana estava com três anos, Inês se divorciou do marido. Em pouco mais de um ano, conheceu seu atual namorado e teve que se adaptar à situação. "No começo eu escondi da minha filha, mas isso não foi bom. Eu achava que estava fazendo uma coisa errada, mas, na verdade, não estava. Os dois se dão muito bem e eu estou muito feliz hoje em dia", ressalta.

Segundo a psicopedagoga Cláudia Razuk, o caso da publicitária Inês é muito comum. Após uma separação, muitos pais ficam com receio de envolver os filhos em um outro relacionamento. E a preocupação é válida: o ideal é ter certeza de que a relação é mesmo séria antes de expor o herdeiro ao fato. "A princípio, a criança não deve se envolver no processo. Pelo menos até que se tenha a certeza de que o novo relacionamento é sólido", indica.

Muita calma nessa hora

A confusão na mente de um pequeno diante do novo relacionamento dos pais é comum. Em alguns casos, eles se veem orientados a chamar o namorado da mãe de padrasto ou a namorada do pai de madrasta, o que pode gerar dificuldade na definição de papéis dentro do novo modelo familiar. Em especial se o novo casal for morar junto. As crianças, muitas vezes, acabaram de se acostumar ao fato de não terem o pai e a mãe juntos e vão precisar dividir o espaço com um 'estranho'. Ao verem que aquele canto está sendo "invadido", os pequenos não encaram como uma das melhores experiências.

De acordo com a psicopedagoga Cláudia Razuk, propiciar o convívio de todos antes de fazer uma mudança radical é fundamental para que não ocorram problemas futuros. "Se nem mesmo o casamento começa de uma hora para outra, por que  a convivência com os filhos deverá começar assim? Antes de oficializar a união, o ideal é proporcionar momentos juntos, como almoços em restaurantes, jantares em casa, passeios. A própria convivência mostrará os caminhos a seguir", aconselha.
Guia da Semana