segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O SILÊNCIO DE BEETHOVEN OU COMO ESCUTAR A ALEGRIA


Gustavo Klimt Friso de Beethoven(1902)

Primeiro, uma gravidade de cordas que prenunciam algo de muito profundo. Depois, como uma fala de instrumentos que imitam nossa respiração, a clarividência de uma serenidade que só pode ser alcançada descendo à mais silenciosa calma. Em sequência, cordas mais metálicas tomam o curso de um movimento, como águas correndo por entre jardins suspensos elevados a alturas extasiantes.
Este não é um texto técnico sobre a música de Beethoven (1770-1827), mas tão somente uma apreciação. O que interessa aqui é a escuta, o silêncio e a alegria. Ou de como do coração do silêncio vem a alegria. Esta é uma escuta do último movimento da Nona Sinfonia.
O silêncio aqui não se diz sobre a censura, a interdição, o calar-se em açodamento. O silêncio aqui é o da escuta. Escutar enquanto atenção.
Porque do ouvir, originário do ouvido, pode ser apenas o aparelho do corpo preparado para receber o som exterior. O ouvido que Beethoven fora perdendo. O quarto movimento da Nona Sinfonia é a escuta que fora ganhando do mundo e sua oferta a esse mesmo mundo de tudo que escutara em seu silêncio


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