domingo, 1 de novembro de 2015

NOSSAS MÚLTIPLAS MÁSCARAS





Parece que ao longo do tempo a gente vai formando uma certa crosta. São camadas e mais camadas de crenças, idéias preconcebidas, obrigações e deveres, que nos dizem o que a gente deve ser e fazer.

Então todos os dias a gente acorda exercitando um pouco desta personagem que vamos aprendendo a ser. (...) Nos acostumamos tanto às máscaras que nem sabemos mais qual é nossa verdadeira face. Mesmo sozinhos, frente ao espelho, quando tiramos algumas de nossas máscaras públicas, ainda restam nossas máscaras íntimas, que nos dizem o que é ser feliz, como é ter sucesso, o que sentir e o que buscar, mesmo que, de alguma forma, a gente sinta que estas diretrizes não satisfazem.

(...)

É preciso lembrar, no entanto, que por mais bem feita, bonita e reluzente que seja nossa máscara, ela sempre pode arrebentar no elástico. Não é a expressão verdadeira de quem somos, apenas um pálido reflexo disso, uma forma de ser quem aprendemos a ser.

Redescobrir a si mesmo é retirar a máscara. Não para uma nudez de sentimentos, onde tudo está exposto, num caos revolucionário. Isso pode acontecer quando a máscara sufoca o indivíduo, mas já é uma situação extrema. É preciso retirar a máscara para ver-se intimamente, reconhecer seus próprios padrões para a vida, refazer escolhas, reconsiderar projetos, realizar propósitos.

A face revelada atrás das máscaras é sempre a mais importante. A beleza está na natureza de sua verdade, na integridade de sua forma. A gente não deveria se perguntar por que muitas vezes não nos tornamos quem queremos ser. Deveríamos nos espantar de por que é tão raro desejarmos ser quem de fato somos.



(...)Há uma plastificação da realidade. Fingimos ser quem não queremos ser para viver uma vida que não nos satisfaz. Afinal, do que temos medo? Estamos abrindo mão de sermos o melhor de nós em prol de sermos quem os outros quiseram que fossemos.

Qual a melhor medida para a vida? Qual o script mais adequado? Que fórmula ou roteiro pode nos levar à realização? Se você não conhece estas respostas e nem conhece alguém que as saiba, então não há nenhum modelo pronto que podemos seguir para irmos aonde queremos ir. Precisamos ser os autores de nossa própria jornada. Fazer escolhas novas e tomar decisões ainda não tomadas.

Há uma liberdade infinita em um novo dia que nasce. Hoje podemos fazer e viver tudo que quisermos, mas precisamos nos dar conta que o programa do passado não serve inteiramente para compor a vida futura. Há muito espaço para improvisação, descobertas, arte em seu estado mais puro. Há sempre espaço e tempo para ser quem de fato somos. Só é preciso escolher isso.

(artigo adaptado, extraído do Dulce Magalhães)