quinta-feira, 12 de novembro de 2015

EU FUI A OUTRA: TESTEMUNHOS DE QUEM FOI A AMANTE




Activa


Madalena* tinha 27 anos quando conheceu Manuel*, médico, uma década mais velho que ela... e casado. A personalidade sedutora, a inteligência, uma autoconfiança inabalável e o sentido de humor conquistaram-na logo no primeiro momento.

A paixão foi lenta mas irremediável. "Conheci-o nos meus primeiros tempos enquanto delegada de informação médica. E foi tudo muito rápido. No final da primeira conversa profissional perguntou-me se não queria jantar com ele e confesso que nem a aliança no dedo dele me demoveu." Envolveram-se sexualmente nesse mesmo dia, algo que nunca lhe tinha acontecido, conta Madalena.

"Aos poucos, apaixonei-me. A minha mãe sabia do que se passava e tentava abrir-me os olhos. Cheguei a ser malcriada com ela porque não queria ouvir a verdade: o Manuel não iria deixar a mulher". Apesar de nunca lhe ter feito esse pedido, desejava-o secretamente. E as desculpas para manterem aquela ligação na sombra eram velhas - 'agora não é o momento certo', 'a minha a mulher está deprimida', 'a minha sogra está muito mal', 'Madalena tu não és mulher para te prenderes num casamento', comentário que interpretou como um elogio - mas nem assim se afastou.

O fundo do poço

Encontravam-se todos os dias, excepto aos fins-de-semana, que ele passava com a família e ela com as amigas. Mas sentia a falta dele. Um dia, com saudades, enviou-lhe uma SMS. "Ligou-me de seguida, muito irritado, a perguntar como me atrevia a fazer aquilo." Ficou chocada mas nem nessa altura resolveu acabar. Bastava ele dar-lhe um beijo ou abraçá-la para se esquecer de tudo e todos. Até que engravidou e... "ele entrou em pânico: não podia ter um filho comigo enquanto não terminasse o casamento. Disse-me que pagava o aborto e assim o fez. Foi muito doloroso a nível emocional, senti-me muito só. Queria imenso ser mãe mas sozinha, não daquela maneira."

Dois anos mais tarde, a relação ainda continuava e Madalena foi obrigada a deixar de tomar a pílula por razões de saúde. "O Manuel nunca quis saber de anticoncepcionais... e engravidei novamente." Ele continuava a não querer ser pai mas desta vez Madalena insistiu em levar a gravidez até ao fim, só que o destino pregou-lhe uma partida: "A mulher dele também tinha engravidado. Ainda tentei fazer contas à vida mas seria impossível pagar creche, casa e todas as contas sozinha. Chorei dias a fio mas abortei novamente. Com medo de não ter forças para o deixar, decidi aceitar um convite de trabalho mal pago em África, mas na área na qual me tinha formado. Foi muito duro mas... longe da vista, longe do coração. Há seis anos acabou a minha travessia do deserto. Conheci o meu actual marido, por quem me apaixonei e de quem tenho duas filhas maravilhosas."