sábado, 28 de novembro de 2015

DIANE VON FURSTENBERG RAINHA DO "WRAP DRESS"

FFW

O ano de 2014 será muito especial para Diane von Furstenberg, que comemora os 40 anos de sua mais célebre criação: o vestido envelope, em inglês wrap dress. “Eu tinha apenas 26 anos quando criei o vestido envelope. Eu não tinha ideia que iria virar um fenômeno.” No domingo (09.02), Diane confirmou as expectativas para o desfile da temporada prêt-à-porter Inverno 2014/15, em Nova York, ao fazer uma ode ao vestido quarentão. As celebrações começaram logo após a virada do ano, com uma festa enorme em Los Angeles na abertura da exposição “Journey of a Dress” (“Jornada de um Vestido”), que reúne 200 versões vintage e contemporâneas da peça. A escolha do local para a mostra, que fica em cartaz até abril, tem muito a ver com o wrap dress e com a criadora: todos os três são sem dúvidas ícones da cultura pop.
Wrap dress em festa: desfile de Diane na semana de moda de Nova York ©Daniele Oberrauchd/ImaxTree
A exposição acontece na Wilshire May Company, antiga casa da loja de departamento May Co. “Que lugar mais apropriado do que a loja de departamentos onde vendi meus vestidos há 40 anos, que agora faz parte da comunidade artística e que será o museu da Academia de Cinema?”, declarou Diane ao “WWD“.
O primeiro anúncio  da marca, tendo a própria Diane von Furstenberg como modelo ©DVF Studio/Divulgação
Logo na entrada do espaço, uma linha do tempo mostra as imagens dos primeiros anúncios. Um dos pontos altos da mostra é a reprodução de uma carta enviada por outra Diane: Vreeland, a lendária editora da “Vogue”. Ela adjetivou a criação como “sensacional” e “genial”, palavras que certamente fizeram a trajetória de Diane e do vestido envelope andarem mais rápido. Depois disso, a estilista passou a fazer parte do line-up da semana de moda de Nova York, num período em que o evento tinha muito mais peso do que hoje em dia.
“Eu tive uma relação muito interessante com o vestido envelope, porque ele aconteceu por acidente. Primeiro era um pequeno top envelope inspirado no que as bailarinas vestem, com uma saia combinando. Depois transformei em um vestido”, disse. O vestido e a fama à qual ele alçou Diane permitiram que ela não só pagasse suas contas, como pudesse viver o “sonho americano”. Mesmo assim, ela contou que às vezes se ressente, já que desenha outras peças, mas no final compreende que foi o vestido envelope que lhe deu liberdade e sucesso. Hoje em dia, o vestido é estudado até em faculdades de sociologia. “Ele tem vida própria.”
A exposição não fala apenas no trabalho, mas engloba também o lado pessoal da vida da estilista, que muitas vezes se confunde com a história do vestido. Diane Simone Michelle Halfin nasceu em Bruxelas, na Bélgica, filha de pais judeus. Sua mãe, Liliane Nahmias, de nacionalidade grega, foi uma sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, onde estava apenas 18 meses antes do nascimento de Diane. A estilista já falou publicamente muitas vezes sobre a influência de sua mãe, creditando-lhe o ensinamento de que “o medo não é uma opção”. Aos 18 anos, Diane estudava economia na Universidade de Genebra, na Suíça, onde conheceu seu primeiro marido, o príncipe Egon von Fürstenberg (1946-2004), da alta nobreza alemã. Apesar de não ter sido tão bem aceito pelos pais do noivo, o casamento foi o motivo para que Diane se lançasse na profissão de estilista, já que não queria ser apenas a esposa de um homem renomado.
Antes disso, Diane trabalhou como assistente do agente de fotógrafos de moda Albert Koski em Paris, e depois foi para a Itália ser aprendiz na fábrica de tecidos Angelo Ferretti, onde adquiriu conhecimento sobre corte, cor e tecido. Foi onde ela desenhou e produziu seus primeiros modelos de jérsei de seda. O casamento veio em 1969 e Diane e Egon tiveram dois filhos, o príncipe Alexander e a princesa Tatiana. Em 1970, com investimento de US$ 30 mil, Diane começou a desenhar roupas femininas. “No momento que eu percebi que estava prestes a ser a esposa de Egon, decidi ter uma carreira. Eu queria ser alguém por mim mesma.” Ela então recebeu o título de princesa. Com a separação, em 1972, ela perdeu o título, mas manteve o sobrenome, hoje já indissociável de sua marca.