domingo, 8 de novembro de 2015

BOLAS DE BERLIM







É uma espécie de viagem no tempo para os mais velhos e um ritual guloso para os mais pequenos. Quem resiste a uma bola de Berlim, sentado na toalha depois de um bom mergulho no mar? É apanhar a jeito o vendedor mais próximo...

À primeira dentada podemos sentir o doce a desfazer-se na boca. Estaladiça por fora, fofinha por dentro. E no final uns enormes "bigodes" de açúcar à volta dos lábios. Nesses 15 minutos voltamos a ser crianças e as memórias de infância na praia tomam conta de nós. A bolinha de Berlim é um clássico e, para muitos, praia a sério não existe sem comer um destes "petiscos" de verão.

Com ou sem creme, alegram adultos e crianças. Onde encontrá-las? Em quase todas as praias do País. Sem grande esforço. Quem não se lembra de estar no areal e ouvir ao longe os pregões de homens e mulheres com cestas de verga ou de plástico na mão? "Olha a bolinha, a bolinha de Berlim! Com e sem creme! Fofinha e fresquinha, para o menino e para a menina."

Não muito longe de Lisboa, na praia da Riviera, na Costa de Caparica, José Alves, 57 anos, e Manuel Nunes, 54 anos, são caras conhecidas de quem apanha ali banhos de sol. Percorrem durante todo o dia os areais daquela e das praias contíguas. Fazem quilómetros entre as dez da manhã e as sete ou oito da tarde.

"O chapéu é a minha imagem de marca. Para os meus clientes me conhecerem. Há 17 anos que vendo bolas de Berlim. Antes vendia gelados. Sempre na Costa de Caparica", conta José Alves, justificando o chapéu em forma de pirâmide, forrado com a bandeira de Portugal. "Só sou vendedor, não sei fazer", diz, quando lhe perguntamos pela receita.

É rápido nas passadas e nem parece que anda na areia. Na cintura, um sino faz despertar a curiosidade de quem está à volta. Sempre atento, ao primeiro braço levantado segue em direção ao chapéu de sol. "As pessoas preferem as bolas com creme. Só não as come quem não gosta, está de dieta ou tem medo. Mas é tudo fresquinho", garante.

Não muito longe, Manuel Nunes apregoa as suas bolas de Berlim. De camisola vermelha, chapéu de palha na cabeça e pele bronzeada, não gosta de perder muito tempo em conversa. Sabe que quanto mais tempo circular no areal mais pessoas lhe farão sinal para comprar uma bola de Berlim. "Não faço a mínima ideia de quantos quilómetros faço por dia. Para muitos, praia sem bola de Berlim não é praia."

Diz que não há dois dias iguais e a venda depende muito de como está o dia. Se estiver vento e o sol, não compensa, as pessoas deixam a praia mais cedo, o que não é bom para o negócio.

Por isso, é preciso aproveitar quando os dias estão bons. "Vai dando para nos aguentarmos. Senão mais ninguém vendia." Sinónimo de calor e verão, pode encontrar bolas de Berlim em muitas pastelarias. Mesmo que não seja na praia e mesmo sem o mar como pano de fundo, continuam a fazer as delícias de muitos graúdos e miúdos. Se tiver jeito para a cozinha, arrisque-se a fazer em casa. Mas à beira-mar elas têm outro sabor...