segunda-feira, 23 de novembro de 2015

BARCO DA ILUSÃO






Aparelhei o barco da ilusão 
E reforcei a fé do marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar…
Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura…
Mas corto as ondas sem desanimar,
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.

Miguel Torga, Câmara Ardente