segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A RAIZ DO VÍCIO





Um vício, apesar de ser uma terrível dependência e um péssimo hábito, é um escape maravilhoso e uma profunda ilusão acerca do «sentir bem». Quando não tens nada para fazer ou não sabes como te acalmar fumas uns cigarros ou coisas do género, entopes-te de comida, bebes uns copos e assim andas sempre ocupado e falsamente tranquilo, pois após o efeito seja do que for voltas ao mesmo estado em que te encontravas. Perdão, não me fiz entender bem: fumas sem vontade de fumar, comes sem vontade de comer e bebes sem vontade de beber. Isto é ser viciado, é pura poluição, sobretudo quando não existe um desejo natural de fazê-lo. Esclarecido? Ótimo. 

Já percebeste o teu desafio? Não, não é deixares de ser um viciado, isso não é um problema porque tens consciência que o és, logo, podes mudar quando entenderes apaixonar-te por ti, o problema é outro e, se queres saber, bem mais sério. Consegues descobri-lo? Era excelente se o dissesses antes de me leres: significaria que também já estarias consciente disso e, nesse sentido, deixaria de ser mais um problema na tua vida. Os problemas são, única e exclusivamente, fruto da inconsciência, pois quando se tem consciência do que se passa já não é um problema, é uma escolha parva. E gente parva é o que não falta por aí.

Então, já está? Já ganhaste consciência daquilo que precisas de trabalhar? Se sim, parabéns, já erradicaste mais um problema dos teus dias, se não, vamos a isto, vou facilitar-te a vida. O teu problema, como já to escrevi, não é o vício que possas ter, mas o desconforto atroz de estar sem fazer nada ou a agonia de andares sempre a mil. É por te sentires mal quando estás sem fazer nada e sempre a correr de um lado para o outro que acabas contigo. E se leste tudo com atenção até aqui, já sabes de que aspeto teu estou a falar, certo? A tua mente, pois claro. Foges da mente para te encharcar de veneno. Qual dos dois o pior? O ácido da mente ou o veneno do vício?

Gustavo Santos, in 'Agarra o Agora'