domingo, 11 de outubro de 2015

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA

(in Público)

 Prémio Nobel da Literatura foi esta quinta-feira atribuído em Estocolmo à jornalista de investigação bielorrussa Svetlana Alexievich, autora de livros sobre as mulheres na II Guerra, os soldados soviéticos mortos no Afeganistão, as consequências do acidente nuclear de Chernobyl ou a criação e sobrevivência do Homo sovieticus.
A ficcionista e jornalista bielorrussa Svetlana Alexievich tornou-se ontem, aos 67 anos, o 112.º escritor (e apenas a 14.ª mulher) a receber o Prémio Nobel da Literatura. O seu nome foi anunciado às 12h (hora local) em Estocolmo pela Academia Sueca, cuja secretária permanente, Sara Danius, destacou a “obra polifónica” de Alexievich, descrevendo-a como “um memorial ao sofrimento e à coragem na nossa época".
Autora de obras fundamentais para se perceber quer a sociedade soviética, quer o mundo que emergiu do colapso da U.R.S.S., Svetlana Alexievich é sobretudo conhecida por livros como (citam-se os títulos das edições inglesas) War's Unwomanly Face (1985), sobre as mulheres soviéticas na II Guerra, Zinky Boys (1989), dedicado à intervenção soviética no Afeganistão, Voices from Chernobyl (1997), que dá voz aos sobreviventes do desastre nuclear, ou o recente O Fim do Homem Soviético, cuja edição portuguesa saiu já este ano na Porto Editora.
A nova secretária da Academia Sueca, Sara Danius, que sucedeu em Junho a Peter Englund, diz que a escritora bielorrussa inventou “um novo género literário”, que “funde literatura e jornalismo”, e “criou uma história das emoções, uma história da alma”.

Svetlana Alexievich era apontada como favorita ao prémio pelas principais casas de apostas, que por uma vez acertaram na mouche. Outros autores bem colocados eram o japonês Haruki Murakami ou os norte-americanos Philip Roth e Joyce Carol Oates, todos eles candidatos recorrentes. José Saramago, premiado em 1998, continua a ser o único Nobel da Literatura português.
Nascida em 1948 em Ivano-Frankivsk (então Stanislav), na Ucrânia, Alexievich é fiha de pai bielorrusso e mãe ucraniana, ambos professores, e ela própria se dividiu durante algum tempo entre a docência e o jornalismo. O que caracteriza a sua obra é o modo como procura dar literalmente voz àqueles que viveram os acontecimentos que aborda. Seja em War's Unwomanly Face, o livro que lhe trouxe notoriedade, seja em Voices from Chernobyl: The Oral History of a Nuclear Disaster, o ponto de partida é sempre ouvir directamente os (as) testemunhas e permitir que a sua voz chegue intacta à versão final do livro.