quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Pedaços de um Caderno Manchado de Vinho






J'écrivais des poèmes et des nouvelles depuis mes 35 ans. 
Quitte à mourir, autant choisir, pensai-je, son propre champs de bataille. 
Je m'assis devant ma machine à écrire et me déclarait, sans plus attendre, écrivain professionnel. 
Au vrai, ma reconversion ne fut pas aussi facile. Lorsqu'un homme a exercé la même profession pendant des années, 
il a perdu la notion du temps. Même si sa journée se limite à huit heures de présence, 
elle ne s'achève pas quand la maîtrise siffle l'heure de la sortie. Il faut encore y ajouter la durée du trajet entre sa boîte et chez soi, 
sans oublier les longues minutes qu'on va devoir consacrer à manger, à se laver, à s'acheter de nouveaux vêtements, ou une voiture, à remplacer ses pneus, 
ou sa batterie, à payer ses impôts, à copuler, à recevoir des amis, à se soigner, à se remettre d'un accident, à faire sa lessive, à éviter de se faire voler, 
à s'inquiéter de la météo, à dormir, à faire des insomnies, et je laisse de côté toutes ces choses dont la décence nous interdit de parler, 
BREF l'être humain n'aura au bout que TRÈS PEU DE TEMPS à se consacrer. Il arrive même que les heures supplémentaires le privent de quelques-unes de ces tâches de première nécessité, 
comme de baiser. Bordel de merde! Et ce genre d'existence vous bouffe six jours de la semaine et, comme le dimanche, vous êtes censé fréquenter l'église ou manger en famille, 
parfois les deux, parlez d'un rêve éveillé! Le Gus qui a dit que "la vie d'un homme ordinaire est une suite de détresses silencieuses" n'avait pas tout à fait tort. Mais le travail apaise les angoisses des humains en les SAUVANT DE L'INACTIVITÉ. Ce qui les empêche, pour la plupart, de réfléchir à leur sort. Chose que les hommes -et les femmes -détestent. Le travail leur paraît être le paradis terrestre auquel ils aspirent. On leur dit quoi faire, comment le faire et quand le faire.
Passé 21 ans, 98% des travailleurs américains sont des cadavres ambulants."
Bukowski "Un carnet tâché de vin"

Tradução

Desde os 35 anos eu vinha escrevendo poemas e contos. 
Decidi morrer no meu próprio campo de batalha. 
Sentei-me em frente à minha máquina de escrever e disse, agora sou um escritor profissional.
É claro que não foi assim tão fácil. Quando um homem trabalha num mesmo emprego durante muitos anos, 
não é dono do seu tempo. Quero dizer, mesmo com uma jornada de oito horas, o dia está tomado. 
Some o tempo que leva para ir e voltar do trabalho, mais o trabalho em si, mais comer, dormir, tomar banho, 
comprar roupas, carros, pneus, baterias, pagar os impostos, copular, receber visitas, ficar doente, sofrer acidentes, 
ter insônia, ter que se preocupar com a roupa suja e com assaltos e com as condições climáticas e todo o resto que não dá pra mencionar, 
não sobra tempo algum para se gastar consigo mesmo. 
E, quando é preciso fazer hora extra, muitas vezes algumas dessas necessidades têm que ficar de fora, até mesmo dormir, e, mais comumente, copular. 
Que porra é essa? E tem semanas em que se trabalha cinco dias e meio, seis dias, e no domingo é esperado que você vá à igreja ou visite os parentes, 
ou os dois. O cara que disse “o homem comum vive uma vida de silencioso desespero” tinha um pouco de razão. Mas o trabalho também acalma os homens, 
dá a eles alguma coisa pra fazer. E impede a maioria deles de pensar. Homens – e mulheres – não gostam de pensar. Para eles o trabalho é uma dádiva. 
Dizem a eles o que fazer e como fazer e quando fazer. Noventa e oito por cento dos americanos acima de 21 anos estão trabalhando, mortos-vivos. 
Meu corpo e minha mente me disseram que dentro de três meses eu seria um deles. Eu me opus.

Charles Bukowski. - Pedaços de um Caderno Manchado de Vinho