terça-feira, 13 de outubro de 2015

PALAVRAS


Palavras

Olavo Bilac





As palavras do amor expiram como os versos,

com que adoço a amargura e embalo o pensamento:

Vagos clarões, vapor de perfumes dispersos,

vidas que não têm vida, existências que invento;

Esplendor cedo morto, ânsia breve, universos

de pó, que o sopro espalha ao torvelim do vento,

raios de sol, no oceano entre as águas imersos-

As palavras da fé vivem num só momento...

Mas as palavras más, as do ódio e do despeito,

o "não!" que desengana, o "nunca!" que alucina,

e as do aleive, em baldões, e as da mofa, em risadas,

abrasam-nos o ouvido e entram-nos pelo peito:

Ficam no coração, numa inércia assassina,

imóveis e imortais, como pedras geladas.